terça-feira, 4 de agosto de 2015

O PROPÓSITO DAS AFLIÇÕES DOS FILHOS DE DEUS

Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.(Rm 8:28)

Queridos irmãos em Cristo, dirijo-me a vocês que são participantes conosco das aflições de Cristo. Se um homem avalia e julga as suas aflições do ponto de vista do próprio homem, certamente não encontrará resposta satisfatória a muitas coisas que acontecem. Surgirão então, muitas perguntas e tentações insinuando: “Porque estes sofrimentos?”, “Porque estas tribulações que nos sobrevêm?”, “Porque estas tragédias?”, “Porque isto?”, “Porque aquilo?”. Estas perguntas sendo avaliadas segundo o ponto de vista humano, ficarão sem respostas satisfatórias, por ignorância aos propósitos de Deus. E quando estas questões são alimentadas na mente sem uma atitude de sujeição à vontade de Deus revelada, surge então as tentações, que tem por finalidade, nos afastar da graça de Deus e levar-nos à desconfiança do seu amor para conosco. Muitos vivem derrotados pelas circunstâncias quando se colocam como vítimas possuindo um sentimento de autopiedade. Porém, quando tudo isto é considerado à luz da Palavra de Deus, de acordo com a sua soberania, então aqueles que crêem no Senhor Jesus Cristo, submetendo-se ao seu senhorio, descansarão sob a sombra do Altíssimo, serão fortalecidos pelo Senhor e cavalgarão sobre as suas aflições. “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide;o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente .”( Hc 3:17-19). Thomas Watson já disse: “Confiamos em Deus quando a providência parece correr frontalmente contra as promessas”. No verso que estamos considerando, (Rm 8:28), tudo, absolutamente tudo, cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e foram chamados segundo o seu propósito. Mesmo os sofrimentos, as necessidades, as adversidades da vida, contribuem juntamente para o bem do povo de Deus. Alguém já disse: “Feliz é o homem que vê Deus envolvido em tudo de bom e de mau que acontece na vida”. Porém, como já nos disse George Muller: “De mil coisas que acontecem na vida dos filhos de Deus, não são quinhentas que contribuem para o bem deles; mas sim 999 + 1: as mil”. Muitos têm seus olhos voltados para as aflições; outros porém, aguardam os benefícios oriundos das aflições. Há uma reflexão que sustenta que “não há nada que esteja além do olho de Deus. Qualquer pessoa pode contar as sementes de uma maçã, mas só Deus pode contar todas as maçãs que brotarão de uma semente”. Neste caso de Romanos 8:28, é preciso observar: “O bem” a que o texto refere-se, não se trata do “bem-estar” do homem, como se ele pudesse sempre gozar de tranqüilidade, conforto, boa saúde, etc., mas o que está vem vista aqui, é o propósito final de Deus para o homem. “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”( Rm 8:28-29). Deus usa as circunstâncias para tratar com cada um particularmente. Agostinho admite que coisas ruins acontecem igualmente a pessoas boas e más, mas diz que é a atitude piedosa diante do infortúnio que faz a diferença. Certamente, após o cumprimento dos propósitos de Deus para os cristãos, estes desfrutarão de uma bem-aventurança eterna, sem variações, isento de aflições, sofrimentos, pecados, etc., Mas, enquanto eles estiverem neste mundo, estão destinados às aflições e às adversidades, porém, estas exercem o seu papel de contribuir para o cumprimento do propósito de Deus para os seus filhos. Irmãos, “Deus teve apenas um filho sem pecado, mas nenhum sem provações”. E Ele nos envia muitas bênçãos disfarçadas em tribulações. Conta-se que há muito tempo um homem ganhou um cavalo. Na época, isto era um símbolo de riqueza. Seus vizinhos disseram: - mas que homem de sorte... E ele imperturbável, respondeu: - Talvez, depende... Um dia o cavalo fugiu... Os vizinhos disseram: - Mas que homem de azar, teve a alegria para depois perdê-la. E o homem, mas uma vez respondeu: -Talvez, depende... Algum tempo se passou e um dia o cavalo retornou, agora acompanhado de vinte e cinco outros cavalos selvagens... Os vizinhos, todos admirados, então disseram: - Mas não é que o homem é mesmo um homem de sorte... O homem, sempre tranqüilo e imparcial respondeu: - Talvez, depende... Certa manhã, seu filho foi domar um dos cavalos selvagens e este o derrubou, quebrando-lhe a perna... Então os vizinhos responderam num só coro: - Mas que homem de azar... E como sempre o homem respondeu: - Talvez, depende... Aconteceu que algumas semanas depois estourou a guerra e todos os jovens foram convocados, morrendo todos. Seu filho, no entanto, estava de perna enfaixada e não precisou ir... Todos os vizinhos, mais uma vez disseram: - Que homem de sorte... Qual o significado que nós atribuímos aos acontecimentos que nos sobrevêm? Será que julgamos tudo pela perda que sofremos, pelas dores que passamos, ou sujeitemo-nos “Aquele que é sábio demais para errar e demais amoroso para ser cruel”!?. Ah! Meus queridos irmãos! O Senhor não é indiferente para o que acontece conosco. Ele que foi experimentado em tudo; sofrimento, angústia, dores, perda, escárnios, açoites, fome, etc., Ele sabe o que é padecer! “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado e dele não fizemos caso”(Is 53:3). Temos um sumo sacerdote que se compadece de nós. “Nossos grandes problemas são pequenos demais para o infinito poder de Deus, mas nossos pequenos problemas são grandes demais para o seu eterno amor”. A despeito de tudo o que acontece conosco, está registrado nas Escrituras: “Estas cousas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (Jo 16:33). Sendo assim, “Não julgues o Senhor por sua razão fraca, mas sim, confia nele por sua graça. Por trás de uma providência indiferente, ele esconde um rosto sorridente”. Nosso Deus é Deus de propósitos, e o seu propósito ao enviarmos provações não visa o nosso prejuízo, e sim a nossa edificação. “Pois tu, ó Deus, nos provaste; acrisolaste-nos como se acrisola a prata. Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas; fizeste que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passamos pelo fogo e pela água: porém, afinal, nos trouxeste para um lugar espaçoso”.( Sl 66:10-12). Há um comentário referente a este Salmo que diz: “O Deus que se revelou a Israel é o único Deus, e deve ser adorado por todos os homens em todos os lugares. É Ele quem disciplina e liberta; é ele quem prova seu povo para o purificar; é ele quem aflige com o fim de aperfeiçoar”. Um cristão anônimo já nos deixou escrito o seguinte: “Muitas pessoas vivem se queixando de que as rosas têm espinhos; eu prefiro ser grato pelos espinhos terem as rosas”. Deus nos disciplina tento em vista os seus propósitos. Certo cristão disse: “Deixa que Deus ordene os teus caminhos e espera Nele, o que quer que aconteça; nEle terás nos duros e maus dias tua suficiente Força e direção. Quem no perene amor de Deus confia sobre a Rocha Inabalável edifica”. As tribulações servem-se a um papel necessariamente significante para o projeto de Deus relacionado a nós. Em At 14:22 observem: “através de muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus”. As aflições são oportunidades para conhecermos os decretos divinos. Lemos em Salmo 119:71 a este respeito. “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesses os teus decretos.” Também, o Senhor nos corrige em nossos caminhos para andar-nos corretamente pela verdade quando nos envia aflições. “Antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra” (Sl 119:67). Através das aflições o Senhor nos leva a compartilharmos pela fé, da vitória que Cristo conquistou sobre o poder e castigo do pecado. “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, para que, no tempo que vos resta na carne já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus.”1ª Pe 4:1-2. O Senhor deseja que dependemos dele em todas as circunstâncias, e por estarmos tão focalizados em nós mesmos, se faz necessário Ele derrubar-nos de costas para baixo, para olharmos para cima. Tudo o que nos sobrevêm, são enviados das mãos que foram traspassadas; por seu decreto ou por sua permissão. “Nada acontece a não ser pela vontade do Onipotente, ou ele permite que aconteça, ou Ele mesmo o faz acontecer” dizia santo Agostinho. Necessitamos conhecer o caminho da dependência do Senhor, irmãos. Nosso amado irmão Glênio, disse algo muito relevante: “A fraqueza de um ser finito pode apoiar-se na onipotência de um Deus Absoluto”. “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião”. (Sl 84:5-7). Irmãos há um grande perigo em buscarmos a fuga quando estamos passando por momentos de aflições. Muitas vezes o Senhor não quer livrar-nos “da” fornalha, mas quer livrar-nos “na” fornalha. Nós não somos vítimas das circunstâncias, como se não houvesse um Deus que tem controle sobre elas; mas estamos sob o tratamento gracioso de Aba. Ele não quer que busquemos a fuga, mas que reconhecemos a Ele em todas as circunstâncias. “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas”.(Pv 3:5-6). O irmão Edward Donnelly em seu livro “Depois da morte o quê ? Céu ou Inferno?”, faz um comentário muito apropriado com este assunto. Diz ele : “Uma das melhores curas da auto piedade é observar alguém que está em situação muito pior que a nossa”. Ele conta-nos uma de suas experiências: “Durante um período de doença não grave, há algum tempo, quando eu tive a tendência de me lamentar, casualmente olhei do púlpito num domingo de manhã, para uma ouvinte. Era uma cristã que recendia graça divina e que estava confinada numa cadeira de rodas devido a uma enfermidade que a aleijara. Seu semblante era sereno, firme no sofrimento, e a minha autopiedade derreteu-se no calor da sua coragem”. Continua o autor dizendo: “Mas todos nós estamos nessa situação, porque estamos rodeados de multidões que estão infinita e eternamente piores do que nós, milhões que estão a caminho do inferno. Pela graça de Cristo, nós não estamos destinados à condenação, e, todavia, ousamos queixar-nos! Quando depois disso você pensar que a vida o está tratando duramente e que Deus poderia dispor as suas circunstâncias mais amorosamente, dê uma olhada no abismo do inferno e lembre-se: “Eu estava indo para lá, porém agora não estou. Em vez disso, estou a caminho do céu, porque Deus me salvou. Que importam todas as decepções, dores e tristezas desta vida? Não são nada, em comparação com o que eu mereço, não são nada, comparadas com o que vou herdar”. Foi o que o Salmista fez: “Dar-te-ei graças,Senhor, Deus meu, de todo o coração, e glorificarei para sempre o teu nome. Pois grande é a tua misericórdia para comigo; e me livraste a alma do mais profundo poder da morte”. (Sl 86:12-13). Irmãos, o Senhor tem como propósito formar o caráter de Seu Filho em nós, e para tanto, ele precisa remover as escórias e poluições do pecado de nossas vidas, por isso nos corrige e disciplina-nos enviando-nos aflições, e isto necessariamente demonstrando o Seu amor e o Seu cuidado para conosco. “Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.”(Pv 3:11-12). Há muito que poderíamos dizer sobre o cuidado paternal de Deus para com os Seus, mas detemo-nos apenas com mais uma consideração. Embora, no momento, as disciplinas de Deus não parecem ser motivos de alegria senão de tristeza, depois entretanto, produz fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. E nesta rica providência de graça a que somos alvos da parte de Deus, podemos descansar no fato de que Ele nunca nos abandonará. Aquele que nunca nos deixou quando passamos por momentos alegres e felizes, também não nos deixará quando passarmos por momentos de aflições e necessidades. “Quando passares pelas águas eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti”.(Is 43:2). Em 1989, o terremoto que estremeceu a Armênia durou apenas 4 minutos, tempo suficiente para arrasar a nação, matando 30 mil pessoas. Logo que cessou o tremor de terra, um pai correu para a escola primária, a fim de resgatar o seu filho. Para sua surpresa, o prédio desabara, nivelando-se ao solo. Observando aquele monte de tijolos, pedras e ferros retorcidos, lembrou-se da promessa que fizera ao filho: “Aconteça o que acontecer, estarei sempre perto de você”. Impulsionado pelo que dissera, localizou a área onde ficava a sala de aula e começou a remover os escombros. Vários pais chegaram, chorando pelos seus filhos. “Tarde demais”, diziam: “Eles estão mortos, nada mais pode ser feito”.Até mesmo a polícia o desencorajou a prosseguir. Mas o pai prosseguiu na busca. Escavou oito, dezesseis, trinta e duas, trinta e seis horas. As mãos sangraram, ficou exausto, mas não desistiu. Finalmente, depois de trinta e oito horas exaustivas de trabalho, ele afastou uma grande viga de concreto e começou a chamar por seu filho. –Arman! Arman! Do meio dos escombros seu filho respondeu: -Papai, estou aqui! O menino acrescentou uma frase que soou aos ouvidos do pai como a mais preciosa de todas. – Eu falei aos outros meninos que não se preocupassem. Falei-lhes que se você estivesse vivo, você viria me salvar e que depois que eu fosse encontrado, eles também seriam salvos. Você havia prometido para mim: “Aconteça o que acontecer estarei sempre perto de você”. “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.(Mt 28:20). “Senhor, não me tires as aflições; mas leva-me a depender de Ti nas minhas aflições, porque Tu estás comigo, a tua vara e o teu cajado me consolam”. Amém!

(Levi Cândido)

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Deus Bem Presente


"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio". (Salmos 46:1,11)

Irmãos e irmãs, tudo o que acontece relacionado aos filhos de Deus, têm um propósito de tratamento do Pai Celestial visando a um fim especifico. Nós não somos vítimas das circunstâncias, mas tudo o que nos cercam, permitam-me repetir, tem um propósito bem definido da parte do Senhor para conosco. Nada acontece a não ser pela vontade do Deus Onipotente, ou Ele permite que aconteça, ou Ele mesmo o faz acontecer. Aquele que nunca nos deixou quando passamos por momentos felizes, certamente também nunca nos deixará quando passamos por momentos de tribulações e angústias. Feliz é o homem que vê Deus envolvido em tudo de bom ou de mal que acontece. Os versos supracitados dizem-nos que Deus é o nosso refúgio e fortaleza e se faz bem presente na angústia. Dizem-nos também que o Senhor dos exércitos é o nosso refugio. Ele tem o controle de tudo o que acontece no mundo.

Há um relato bíblico muito instrutivo para nossa reflexão sobre o profeta Daniel. Podemos ler no livro de Daniel 6:20 o seguinte: “Daniel servo do Deus vivo, dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões?”
Observemos a expressão: “DEUS VIVO”.

Quantas vezes encontramos esta expressão na Escritura! E, no entanto, é justamente o que perdemos tão facilmente de vista. Sabemos que está escrito: Deus vivo, mas em nosso viver diário parece que nada perdemos de vista tão depressa como o fato de que Deus é o Deus vivo; é agora o mesmo que era há três ou quatro mil anos; tem para com os que O amam e servem o mesmo poder soberano, o mesmo amor salvador, que teve também no passado; e fará agora pelos Seus o que já fez há dois, três ou quatro mil anos — simplesmente porque é o Deus vivo, Aquele que não muda. Oh, como devemos confiar n`Ele, e em nossos momentos mais sombrios, nunca perder de vista que Ele ainda é e sempre será o Deus vivo!

Se andamos com Ele, olhamos para Ele e d`Ele esperamos socorro, podemos estar certos de que Ele nunca nos desamparará. Sou um velho irmão, que conheço o Senhor há quarenta e quatro anos, e digo, para seu encorajamento, que Deus nunca falhou para comigo. Nas maiores dificuldades, nas provas mais difíceis, na maior pobreza e necessidade, Ele nunca me falhou. Por Sua Graça aprendi a confiar n`Ele, e Ele tem sempre vindo em meu socorro. Tenho prazer em falar bem do Seu Nome. — Jorge Müller

Lutero, certa vez, num momento de perigo e temor em que tinha necessidade de força espiritual, foi visto absorto, escrevendo com o dedo na mesa: "Vivit! Vivit!" (Ele vive! Ele vive!) Essa é a nossa esperança — para nós mesmos, para a Sua verdade e para a humanidade! Os homens vêm e vão. Líderes, mestres, pensadores falam e trabalham por um tempo e então caem, sem voz e sem força. Ele permanece. Eles morrem, mas Ele vive. Eles são luzes acendidas, e, portanto, mais cedo ou mais tarde, se apagam. Ele É a verdadeira luz, da qual os outros obtêm o seu brilho: Ele brilha para sempre! — Alexander Maclaren
"Um dia vim a conhecer o Dr. John D. Adams," escreveu o servo de Deus C. G. Trumbull, "e fiquei sabendo que, o que ele considerava a sua maior posse era a permanente consciência da presença do Senhor Jesus. Dizia que nada lhe dava maior segurança do que a consciência de que o Senhor estava sempre com ele em presença real. Dizia que isto não dependia de seus sentimentos ou emoções, nem de seus merecimentos ou de suas próprias idéias sobre como o Senhor manifestaria a Sua presença.

"Dizia ainda que Cristo era o lar dos seus pensamentos. Toda vez que sua mente estava livre de outros assuntos, voltava-se para Cristo; e ele falava em voz alta com Cristo quando estava só — na rua, em qualquer outro lugar — tão fácil e naturalmente como com um amigo qualquer. Tão real era para ele a presença de Jesus."³
Queridos, se olharmos para nós mesmos continuamente, certamente entraremos em depressão, se olharmos continuamente para as pessoas, certamente ficaremos decepcionados, se constantemente mirarmos as circunstancias, talvez sejamos consumidos pelo desânimo, mas, se ao invés de ficarmos focalizados nessas coisas, olharmos firmemente para Jesus – o Autor e Consumador da fé -, certamente descansaremos sob os Seus cuidados paternais e eternos. Infelizmente não são poucos os que vivem derrotados pelas circunstâncias quando se colocam como vítimas possuindo um sentimento de autopiedade por passarem por tribulações. Porém, quando tudo o que acontece conosco é considerado à luz da Palavra de Deus, de acordo com a sua soberania, então aqueles que crêem no Senhor Jesus Cristo, submetendo-se ao seu senhorio, descansarão sob a sombra do Altíssimo, serão fortalecidos pelo Senhor e cavalgarão sobre as suas aflições.

Disse o profeta Habacuque: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente.” (Hc 3:17-19).

Bem aventurado é o homem que pode declarar como expressão de sua fé no momento de tribulação: “O Senhor Deus é a minha fortaleza, Nele confiarei”. Ainda que a terra venha a se transtornar, e os montes venham a abalarem-se, ainda que as águas tumultuem e espumejem-se e na sua fúria os montes se estremeçam... O Senhor dos exércitos é fortaleza no dia do mal. Tendo o Senhor como refugio e fortaleza, necessariamente teremos também o Seu cuidado nas adversidades da vida. E mesmo quando as possibilidades parecerem correr contra as nossas necessidades, “O Senhor faz os nossos pés como os da corça, e nos faz andar altaneiramente”. Que consolo, que segurança há para os filhos do Senhor! Os filhos de Deus estão debaixo de seu olhar paternal e amoroso, de modo que não faltarão direção e providência ao longo de suas jornadas nesta vida rumo ao porvir.

Thomas Watson já disse: “Confiamos em Deus quando a providência parece correr frontalmente contra as promessas”.

Quando pensamos que ele está mais longe de nós, ou mesmo que nos abandonou, a verdade é que, quando nos atemos a ele, percebemos que está colocando pedras de fundação para maior alegria em nossa vida. “Não julgues o Senhor por sua razão fraca, mas sim, confia nele por sua graça. Por trás de uma providência indiferente, ele esconde um rosto sorridente”¹
O que diz o poeta William Cowper nessas linhas é a descrição de como Deus opera a salvação eterna de seu povo. É a maneira pela qual ele governa a história, e o modo pelo qual governa nossa vida.

“Talvez haja um tempo em que parece que Deus não é encontrado, mas não existirá nenhuma ocasião em que não se possa confiar N`Ele”² O Salmista passou por esta experiência  e expressou-se: Por que estás ao longe, SENHOR? Por que te escondes nos tempos de angústia? (Salmo 10.1.)

Mas, não muito tempo depois ele reconheceu que nada pode fugir aos olhos Daquele que é sábio demais para errar e demais amoroso para ser cruel. “Tu hás, com efeito, visto; porque olhas para o trabalho e a dor, para o tomares na tua mão. A ti é que o desamparado se entrega; Tu tens sido o amparador do órfão.” (Sl 10:14)
No final das contas, tudo contribuirá juntamente para o propósito de Deus para o Seu povo. “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” ( Rm 8:28)

Como  já disse George Muller: “De mil coisas que acontecem na vida dos filhos de Deus, não são quinhentas que contribuem para o bem deles; mas sim 999 + 1: as mil”. “O bem” a que o texto acima se refere, não se trata do “bem-estar” do homem, como se ele pudesse sempre gozar de tranquilidade, conforto, boa saúde, etc..., mas o que está em voga aqui é o propósito final de Deus para os seus escolhidos. O Seu desejo é que seus filhos sejam conformados à imagem de Seu Filho a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” ( Rm 8:29)

Exatamente, Deus desejou ter uma grande família de filhos parecidos com Seu Filho, e as tribulações com suas dores, sofrimentos, angústias e privações faz parte do propósito de Deus para que possamos entrar no Seu Reino e receber essa conformidade. “Confirmando as almas dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé e dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no Reino de Deus.” (At 14:22)

Todavia, “Deus é socorro bem presente na angústia”. Ele permite que as tribulações nos alcancem, como se estivesse indiferente à sua pressão perturbadora, para que cheguemos ao fim de nossas próprias forças e descubramos o tesouro escondido, o imenso lucro da tribulação. Podemos estar seguros de que Aquele que permite o sofrimento está conosco na dor. Pode ser que só O vejamos quando a aflição já estiver passando, mas precisamos atrever-nos a crer que Ele nunca sai de perto do crisol.

Nossos olhos estão vendados e não podemos ver Aquele a quem amamos. Está escuro — as vendas nos cegam, de forma que não podemos enxergar a figura do Sumo Sacerdote: mas Ele está ali, profundamente compadecido. Não consideremos os nossos sentimentos, mas a Sua imutável fidelidade; e embora não O vejamos, falemos com Ele. Assim que começamos a conversar com Jesus, crendo na Sua real presença, embora nos esteja velada, vem-nos em resposta a Sua voz — que nos prova que Ele está ali, no meio da sombra, velando sobre o que é Seu. O Pai está tão perto quando passamos pelo túnel, como quando caminhamos sob o céu aberto.
Comigo estás, Senhor.

Embora eu não Te veja, Sei muito bem que Tu comigo estás.
Segura forte a minha mão na dor; Cerca o meu coração com Teu amor;
Ergue a minha alma, e que ela firme esteja.
Repouso em Ti, Senhor. Comigo estás.”³
      Amados irmãos e irmãs, O cálice mais amargo com Cristo é melhor do que o cálice mais doce sem Ele. Aqueles que têm o Pastor Jesus Cristo, então possuem graça para cada pecado, direção para cada curva, luz para cada canto, e uma âncora para cada tempestade. Esses tem tudo o que precisam, pois Ele é o Senhor e Salvador do Seu povo. Confiemos Nele em toda e qualquer situação. As obras de Suas mãos o Senhor não renunciará. “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” (Fp1:6)  “Pai, ordena os nossos caminhos e dirige-nos aos pastos verdejantes por amor do Teu nome. Amem!”

(Levi Cândido)
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Notas:

¹ COWPER, William (1731-1800),²Thomas Lee,³Mananciais do deserto




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"DEUS ESTÁ NO COMANDO"




“Que diremos, pois, à vista destas cousas; Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm8:31)

Alguém disse que a essência da doutrina da graça consiste nisto: “Deus é por nós!”. De fato, se Deus estiver a favor de alguém, quem poderá se lhe opor e prevalecer? . O amparo pertencem àqueles a quem o Senhor pertence. “Quando tudo o que você é está à disposição de tudo o que Deus é, então tudo o que Deus é está à disposição de tudo o que você é”. “Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele..” ( 2 Cr 16:9ª ). Em primeira instância é necessário atentarmos para quem é Aquele que está no controle de todas as coisas no universo.

As Escrituras Sagradas nos mostram que o SENHOR Deus tem a soberania sobre tudo, e que todas as coisas estão ao seu inteiro dispor. “Tudo o que Deus pretende ele decreta, e o que permite já previu”. “Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o SENHOR é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há. Conforme os teus juízos, assim tudo se mantém até hoje; porque ao teu dispor estão todas as coisas.”. (Dt 4:39 ; Sl 119:91). Aquele que é o Criador também é o Sustentador de todas as coisas, “portanto, nada acontece a não ser pela vontade do Onipotente; ou Ele permite que aconteça, ou Ele mesmo o faz acontecer”. Muitos há que miram as circunstâncias e ficam desanimadas com elas, ao invés de mirarem Aquele que governa as circunstâncias e tem absoluto controle sobre elas. “Mas o nosso Deus está nos céus; faz tudo o que lhe agrada.” (Sl 115:3). A.W.Pink escreveu: “Deus é Lei para si mesmo e... não tem obrigação de prestar contas de suas atitudes a quem quer que seja”.

O que nós precisamos de fato, é conhecer Aquele cujos pensamentos e caminhos são infinitamente superiores aos nossos. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” (Is 55:8-9). “Deus escreve com uma pena que nunca borra, fala com uma língua que nunca erra, age com uma mão que nunca falha”. “Se Deus é por nós quem será contra nós?”.

É conhecendo o Senhor e o seu poder, que confiaremos e descansaremos nele, mesmo em meio às adversidades da vida. Em Salmo 9 verso 10 podemos ler: “Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, SENHOR, não desamparas os que te buscam”. Alguém disse: “Tome qualquer classe social, a mais alta ou a mais baixa, e não encontrará um só caso de alguém que tenha confiado no SENHOR e ficado desapontado” “Lança o teu cuidado sobre o SENHOR, e ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado.” (Sl 55:22). Se nossa personalidade e nossas diretrizes, se voltam para Deus, temos a presente e eterna paz com Ele em toda e qualquer circunstância. “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti.” (Is 26:3).

O pastor Tomaz Germanovix de Londrina-Paraná, disse algo muito significativo: “Façamos dos momentos sombrios e penosos de nossas vidas pássaros que nos levem, em suas asas, até à presença majestosa do SENHOR do universo. Descansemos Nele, pois ele está no comando” “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.” (Is 45:22). Também lemos em Salmo 46 verso 10 que diz: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra”. Thomas Brooks assim expressou-se: “A soberania de Deus é aquele cetro de ouro em sua mão pelo qual ele faz todos se curvarem, seja por sua palavra, por suas obras, por suas misericórdias ou por seus juízos”.

De fato, a doutrina da soberania de Deus transforma a adversidade. Santo Agostinho foi muito feliz em dizer que “a nossa alma jamais repousará em paz enquanto não repousar no SENHOR”. Se temos Deus como o Soberano Senhor, teremo-Lo como refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia (ver Sl 46). “A confiança em Deus, o eterno Ajudador, não só na morte e no julgamento final, mas no tempo presente também, na dificuldade imediata, pode ser visto no Salmo 54:4, onde vemos a bem-aventurança daqueles que têm o SENHOR ao seu lado. “Eis que Deus é o meu ajudador, o SENHOR é quem me sustenta a vida.”

Moisés foi um homem que aprendeu que sua felicidade, sua segurança, seu êxito em seus caminhos, dependia tão somente da presença do SENHOR com ele, por isso a sua determinação em receber do SENHOR a convicção de Sua presença, o faria disposto a seguir o seu caminho. “E Moisés disse ao SENHOR: Eis que tu me dizes: Faze subir a este povo, porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo; e tu disseste: Conheço-te por teu nome, também achaste graça aos meus olhos. Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é o teu povo.” (Ex 33:12-13).

“Nenhum homem pode, na verdade, dizer que teve êxito na vida, a menos que haja escrito na parte superior do diário de sua vida – Entrada: Deus!”. Moisés sabia que se o SENHOR fosse por ele, quem seria contra ele?. Ele sabia que tendo o SENHOR ao seu lado, teria a providência necessária para toda a sua vida. A resolução de seu coração era : “Senhor, eu não quero fazer nada a não ser que o Senhor me dirija”. A convicção da presença do SENHOR traz quietude, temor, humildade...dependência. Por isso vemos como o coração de Davi extravasou-se em confiança, alegria e esperança pela convicção da presença do Senhor ao seu lado. “Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei.

Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura.”( Sl 16:8-9 ). Oxalá experimentemo-nos aquela experiência de comunhão descrita no Salmo 84 verso 3 que diz: “O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu”.“A Tua providência é grande e amável, homens e animais recebem teu cuidar; por toda a criação Tu és o responsável, mas os santos são teu interesse peculiar”. Diz o apóstolo Paulo em Romanos 8 verso 32 que “Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as cousas?”.

O Senhor cuida daqueles que são seus. “Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia. Temei ao SENHOR, vós, os seus santos, pois nada falta aos que o temem.” (Sl 34:8-10). Por isso, tudo o que nós necessitamos é Cristo mesmo. Se há algum de meus leitores com o coração quebrantado, se o pecado pesa-lhe em sua consciência, se se sentem algemados em grilhões do pecado, olhem para Jesus Cristo, e somente para Ele. “...Pois não há nenhuma necessidade que não possa ser suprida por Jesus; não há vazio no coração que Cristo não possa encher; não há um ermo que ele não possa povoar; não há deserto que ele não possa fazer florescer como a rosa.”

“O minha alma, espera somente em Deus, porque dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei abalado. Em Deus está a minha salvação e a minha glória; a rocha da minha fortaleza, e o meu refúgio estão em Deus. Confiai nele, ó povo, em todos os tempos; derramai perante ele o vosso coração. Deus é o nosso refúgio.” (Sl 62:5-8). “Talvez haja um tempo em que Deus não é encontrado, mas não existirá nenhuma ocasião em que não se possa confiar nele”, dizia Thomas Lee. Certa vez um homem foi pedir conselhos a um pastor. Ele achava-se no meio de um colapso financeiro. “Perdi tudo”, lamentou ele.

“-Oh, estou tão triste por você ter perdido a sua fé”. “- Não”, corrigiu o homem, “não perdi minha fé”. “-Bem, então sinto muito por você ter perdido o seu caráter”. “-Eu não disse isto”, tornou a corrigir ele. “Ainda tenho o meu caráter”. “-Que pena você ter perdido a sua salvação”. “- Não foi isto que eu disse”, tornou a corrigir ele. “Não perdi minha salvação”. “-Você tem a sua fé, o seu caráter, a sua salvação. Parece-me”, observou o ministro, “que você não perdeu nenhuma das coisas que realmente importam”... Nem nós a perdemos. Você e eu poderíamos orar como o puritano.

Ele sentava-se para uma refeição de “pão e água”, curvava a cabeça e dizia: “ Tudo isto e Jesus também!”. “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele; tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”(I Tm 6:6-8). Se você tem Cristo, você tem o Pastor do Salmo 23. “O SENHOR é o meu pastor: nada me faltará”. Se você tem Cristo, você tem os celeiros de Deus, pois “Cristo é a chave de todos os aposentos de Deus”. Se você tem Cristo, “você possui graça para cada pecado, direção para cada canto, e uma âncora para cada tempestade.

Você tem tudo o que precisa”. A linguagem dos santos de Deus é : “No tocante a mim, confio na tua graça; regozije-se o meu coração no teu salvamento. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem. Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os teus decretos”, etc.( cf. Sl 13:5-6, 119:68 ). “O único verdadeiro lugar de descanso, onde a dúvida, a fadiga, os ferrões de uma consciência acusadora e os anseios de uma alma insatisfeita podem todos aquietar-se, é Cristo mesmo. Não a igreja, mas Cristo, não a doutrina, mas Cristo. Não as cerimônias, mas Cristo.

Cristo, o Deus homem dando a vida pela nossa - selando o eterno concerto e fazendo a paz pelo sangue da sua cruz. Cristo, o celeiro divino de toda a luz e verdade, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência. Este, somente este, é o refúgio da alma aflita, a rocha sobre a qual se pode estar firme. Jesus Cristo é digno de toda adoração”.( F. Ronke) “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11:28-30).

“Quando olho para mim, fico deprimido; quando olho para os outros, fico desapontado; quando olho para as circunstâncias, fico desanimado; mas...quando olho para Cristo fico descansado”. “Olhem para o meu Servo. Vejam o Meu Escolhido. Ele é o Meu Amado, em quem a minha alma se alegra...Ele não esmaga o fraco, nem apagará a menor esperança que houver” (Mt 12:18-20). “Pai, guarda e sustenta o Teu povo em Cristo Jesus.

Amém”.

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ORAÇÃO (Algumas considerações)


                                           

Talvez uma das ocupações mais negligenciadas ou menosprezadas e, contudo, deveria ser a mais valorizada pelos cristãos em gerais, sem dúvida é a oração. A consideração desse assunto é tão importante que Matthew Henry declarou certa vez: “Quando Deus pretende dispensar grandes misericórdias a seu povo, a primeira coisa que faz é inspirá-lo a orar”.

Dessa declaração podemos concluir: A oração genuinamente espiritual é de origem celestial e não humana. Alguns homens de Deus reconheceram a veracidade do que acabamos de dizer acima, e passo a citá-los em algumas observações próprias. O primeiro deles é Iain H. Murray. Disse ele: “A oração vem de Deus e... o tempo todo ele nos está treinando para orarmos”. De fato, “a oração é como que a respiração da nova natureza dos santos, do mesmo modo que a Palavra de Deus é o seu alimento. Um crente que não ora é uma contradição de termos”¹. A primeira evidência mostrada pelo Senhor de que houve conversão real na vida de Saulo de Tarso foi a sua atitude diante desse santo exercício: “...ele está orando”. “E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando;” (Atos 9:11).

A genuína conversão sempre é acompanha pela genuína oração. O apóstolo Paulo foi capturado pela visão celestial de Cristo e seu primeiro reconhecimento da soberania de Deus foi reverenciá-Lo através da oração. Um claro conhecimento acerca da soberania de Deus revolucionará toda nossa antiga forma de pensar e certamente abrangerá a oração.
Uma das multiformes graças de Deus como “Divino Ajudador” é a Sua assistência aos Seus santos através desse santo exercício.  “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.” (Romanos 8:26-27)

Provavelmente alguns de nós já temos ouvido a declaração: “A oração muda as coisas”. Quanto a isso me permitam perguntar: Será que muda mesmo? Pelo menos parece que às vezes mudam, ou seja, as coisas estão seguindo em uma direção e então alguma coisa acontece e nós oramos sobre aquilo e a situação muda. E então nós dizemos: A oração muda as coisas. No entanto, precisamos considerar: Tem de fato a oração mudado as coisas? Ou expondo-se de outra forma: Tem de fato a oração mudado a Deus?

Acredito ser esta uma questão fundamental com respeito a oração, porque esta perspectiva nos remete a outras perguntas importantes tais como: Será que a vontade de Deus é acionada pela nossa oração? Precisamos considerar mais acuradamente sobre isso. Imaginemos por um momento: Deus não tem planos e nem ideias. E nós temos uma ideia e a trazemos a Deus em oração. Então Deus pensa sobre aquilo e Ele diz: “Essa é uma ótima ideia, eu vou fazer isso”. Em outras palavras, Deus está aberto a receber a nossa sugestão!

Será que esta é a real situação? Será que a oração muda as coisas? O que nos ensina a palavra de Deus sobre isso? Começamos lendo Efésios capitulo 1 e verso 11. “Nele,(Cristo) digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;”. Aqui começamos a entender que a vontade de Deus é soberana em tudo: “...

Ele faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”. Em tudo, mesmo na nossa salvação: Convencimento do pecado, arrependimento, fé, eleição, predestinação, adoção de filhos, glorificação, iluminação, batismo em Cristo, batismo no Espirito Santo, enfim, tudo na vida cristã é pela graça de Deus, do principio ao fim –, e isto, “segundo o conselho da sua vontade”.  Podemos ler em Salmo 135:5-7 sobre uma gloriosa expressão da soberania de Deus.


“Porque eu conheço que o Senhor é grande e que o nosso Senhor está acima de todos os deuses. Tudo o que o Senhor quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos. Faz subir os vapores das extremidades da terra; faz os relâmpagos para a chuva; tira os ventos dos seus tesouros.” (Salmos 135:5-7).

Esses versos nos mostram que a vontade de Deus não é acionada pela nossa oração, mas que Ele faz aquilo que Lhe agrada a fazer.

Consideremos outra pergunta: Será que a vontade de Deus é mudada pela nossa oração?

Esse é um quadro diferente do anterior. Vamos imaginar mais um ponto: Deus tem algumas ideias, Ele tem planos, mas nós temos um plano diferente e então nós oramos sobre isso, e muitos de nós oramos, e a nossa oração é sincera, e nós oramos por um longo tempo, e então Deus ouve a nossa oração e Ele pensa sobre aquilo e Ele diz: “Sabe, esse plano é melhor do que o meu, então eu vou mudar o meu plano e eu vou fazer o que esse pessoal está pedindo!”

Será que essa é a real situação? Leiamos o que diz Salmo 115:3. “Mas o nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz.” Sim, leitores, Deus faz tudo o que lhe apraz, e não tudo o que nós desejamos. Digno de nota é a declaração como começa esse salmo: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (verso 1), ou seja, o crente verdadeiro não está buscando proveito próprio nas suas relações com Deus, mas quer que somente a Deus seja dada glória.

Pensemos agora nas duas perguntas que fizemos acima:

1ª. Será que a vontade de Deus é acionada pela nossa oração? E a resposta certamente é não!

2ª. Será que os planos e a vontade de Deus são mudados pela nossa oração? E a resposta, igualmente, deve ser não!

Isso necessariamente implica numa terceira pergunta: Então por que orar?
Creio que há duas respostas satisfatórias que esclarecerá a visão supracitada. Primeiro, é que Deus ordenou que orássemos e nós devemos ser obedientes a essa ordem. O Senhor Jesus nos ensinou em Lucas 18:1 sobre o dever de orar sempre e nunca desanimar.

Como já disse o irmão John Blanchard: “Oração não é o mínimo que podemos fazer; é o máximo. Tentar fazer alguma coisa para Deus sem oração é tão inútil quanto tentar lançar um satélite com um estilingue”. Mas, não devemos nos esquecer: “Nada está fora do alcance da oração, a não ser aquilo que está fora da vontade de Deus. Deus só responde aos pedidos inspirados por ele. A natureza da bondade divina não está apenas em abrir àqueles que batem, mas também em levá-los a bater e pedir”².

O pastor C.H.Spurgeon (1834-1892) expressou-se certa vez sobre a oração: “As verdadeiras orações são como pombos-correios que encontram seu caminho com extrema facilidade; elas não podem deixar de ir para o céu, pois é do céu que procedem; elas estão apenas voltando para o lugar de onde vieram”.

Alexander Whyte também declarou certa vez: “O maior e melhor talento que Deus dá a qualquer homem ou mulher neste mundo é o talento de orar”.

Em segundo lugar, devemos orar porque a vontade de Deus se realiza na nossa oração. A nossa oração tem uma parte secundária no plano de Deus, mas importante. Ela é importante porque é Deus quem ordenou a oração. Aqui vemos um principio relevante da vida cristã : a cooperação do crente relacionada à vontade de Deus. O Senhor não controla marionetes. Os filhos de Deus relacionam-se com Ele submetendo-se à Sua vontade, cooperando-se com a Sua Graça como disse o apóstolo Paulo: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou, e sua graça para comigo não foi em vão; antes, trabalhei mais do que todos eles; contudo, não eu, mas a graça de Deus comigo.” (1 Coríntios 15:10).

Notemos a expressão do apóstolo: “... a Graça de Deus comigo”, isso significa cooperação. Diz nos a Escritura que a “fé sem as obras é morta”, logo, a oração é a respiração natural da fé.

Vamos enfatizar mais um exemplo biblico sobre o que acabamos de dizer acima. No livro de 1ª Reis capítulo 17, vemos a profecia da parte de Deus entregue através de Elias a Acabe informando-lhe sobre uma grande seca que haveria na terra. E por um periodo de 3 anos e 6 meses houve, de fato, grande seca, e então Deus falou a Elias que iria enviar a chuva e parar aquela seca. E depois disso o que vemos? Encontramos Elias orando pedindo a chuva! Ora, mas Deus já havia prometido a chuva! Então por que orar? Mas Elias orou! Aqui novamente vemos o mesmo principio importantíssimo: Deus decidiu enviar a chuva antes da oração de Elias. Porém, Deus não enviou a chuva até que Elias estivesse orando. Primeiro a vontade de Deus revelada (Soberania), e relacionado à ela, a cooperação de Elias como resposta à soberana vontade do Senhor. A oração de Elias teve uma parte importante ali. Ah! Como precisamos conhecer a vontade de Deus! Somente então oraremos de acordo com a Sua vontade. Já foi dito por um cristão anônimo: Oração é posse por antecipação.

Citando novamente Spurgeon, ele disse que a oração respondida é como um pombo correio. Essa ave é muito interessante. Ela é levada para quilômetros de distância do lugar aonde ela foi mantida por longo tempo. E depois ela é solta lá, e então ela acha o caminho direto para casa, naquele mesmo lugar aonde ela estava antes. A oração respondida é como isso. Ela começa no céu. Deus determina fazer alguma coisa, e depois Ele coloca esse desejo no coração do  Seu povo, e então Ele os liberta em oração, então a oração volta para casa e a vontade de Deus é feita. Foi John Blanchard, quem já disse : “Nada está fora do poder da oração com exceção daquilo que está fora da vontade de Deus”.

Há apenas um tipo de oração a qual Deus está debaixo de um contrato para responder positivamente, e este é “conforme o conselho da Sua vontade”. Vejamos a indicação do Senhor no que toca a Sua vontade. Em João 14:13-14 está escrito: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.”.  Leiamos também 1ª João 5:14. “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.”
Comparando os dois versos acima, podemos observar que o nome do Senhor possui tal autoridade e esta se relaciona à sua vontade, de sorte que se pedirmos tudo segundo a sua vontade o Senhor o fará. Logo, também nos é dito que se pedirmos alguma coisa em seu nome - conforme a sua vontade -, o Senhor nos ouve. Vejamos essa relação. O próprio Deus exaltou o nome do Seu Filho, de sorte que, ao nome de Jesus todo joelho se dobrará e toda língua confessará Seu senhorio, tanto nos céus, quanto na terra e debaixo da terra. (Filipenses 2:9-11)

Em que sentido pode-se pedir alguma coisa em Seu nome de acordo com a Sua vontade?

Vamos ilustrar isso. Muitas vezes temos algo importante para fazer e temos necessidade da ajuda de um advogado. Pode ser uma compra ou venda de uma casa, pode ser alguma ação judicial, etc. Então contratamos um advogado e este então diz: “eu vou agir em seu nome”, e as coisas na maioria das vezes se concretizam conforme a necessidade especifica.

No Velho Testamento somos informados que os profetas falaram em nome do SENHOR. O “nome de alguém” nas Escrituras tem um sentido muito importante. Ele procede do sujeito “mente” + o verbo “conhecer”, do que se conclui: “conhecer a mente”. O nome da pessoa na Escritura tem relação com sua natureza. Deixe me dar um exemplo: O nome Jacó na Bíblia significa “aquele que segura o calcanhar”, portanto, “suplantador”, “o que tira vantagem sobre outros pela astúcia”.

Vejamos mais um exemplo. O nome Jesus, conforme alguns estudiosos da Bíblia, tem origem da variante de Oséias e Josué, o que traz o seu significado: Jeová é Salvador. Isso está perfeitamente em harmonia com o que foi atribuído ao Seu nome quando do anúncio do seu nascimento. “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21).

Por isso, orar no nome de Jesus significa orar “de acordo com a mente de Cristo”, “de acordo com o que Ele quer”, “de acordo com a vontade de Deus”. Ou seja, orar no nome de Jesus ou orar de acordo com a vontade de Deus é a mesma coisa. Vale esclarecer: Orar “no nome de Jesus” não significa que vamos adicionar essas palavras no final da oração. Muitos acham que acrescentando essas palavras “no nome de Jesus”, é tudo o que se requer na oração para que ela seja atendida. No entanto, não é isso que significa. Talvez a oração seja motivada pelo egoísmo e não é de acordo com o nome de Jesus. Se não conhecermos a mente do Senhor, apenas estaremos ajuntando essas palavras ali no final da oração. “A oração verdadeira é uma necessidade sentida e despertada em nós pelo Espírito, porquanto pedimos a Deus, em nome de Cristo, aquilo que está de conformidade com a Sua santa vontade”¹.

Talvez já nos perguntemos: Como podemos conhecer a vontade de Deus? Esse é um grande problema em nossa vida. Vamos reler Romanos 8:27. “E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.”
Graças a Deus que Paulo falou dessa forma. Devemos nos contentar porque ele não disse: “Nós sempre sabemos sobre o que orar”, ou, “Eu nunca tenho problema quando oro”, ou ainda, “Eu sempre sei o que pedir em oração”. Aqui vemos um principio importante sobre a pregação da Palavra: Uma boa pregação é uma pregação confessional.

Imaginemos por um instante se Paulo, o Apóstolo, se apresentasse em um programa de televisão e dissesse: “Meus telespectadores, eu não sei orar”. Talvez muitos mudariam de canal imediatamente. Mas também Ele não diz: “Eu não sei se nós devemos orar”, ou “Eu não sei a quem devemos orar”, ou ainda, “Eu não sei a que base devemos orar”, e mais, “Eu não sei sobre o que devemos orar”.  Ele diz: “... não sabemos o que havemos de pedir como convém” (Romanos 8:26). Algumas vezes Paulo orou de forma errada. Não é herético dizer que algumas vezes alguns crentes, os apóstolos e os profetas erraram na oração. Paulo certa vez (em 2ª Coríntios 12), orou por três vezes para que o Senhor tirasse o “espinho posto na sua carne”, mas sua oração não foi atendida pelo Senhor, antes foi suprida pela Sua graça.

Um cristão anônimo considerou: “Pedimos prata e, algumas vezes, Deus manda-nos sua negativa embrulhada em ouro”. As orações não respondidas não significam necessariamente que Deus abandonou o seu povo, mas que tem algo mais relevante e esperam gratidão por parte deles. “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1ª Tessalonicenses 5:18).

Em sua reflexão sobre o tema disse Jean Ingelow: “Tenho vivido para agradecer a Deus o fato de não terem sido respondidas todas as minhas orações”. Irmãos e irmãs há uma benção debaixo de cada ato de misericórdia do Senhor para com o seu povo e mesmo na falta de resposta às suas orações as mãos de Sua providência não estão encolhidas para não poderem abençoá-los.

Foi assim que o irmão Andrew Murray considerou: “Quando o Senhor quer levar a alma a uma grande fé, deixa suas orações sem resposta”.

Diz-nos o texto que “o Espírito ajuda as nossas fraquezas” (Romanos 8:26), ou seja, a nossa ignorância sobre a vontade de Deus é parte de nossa fraqueza, não de nossa maldade.

A questão é “como sabermos sobre a vontade de Deus”. Vejamos isso sob dois ângulos.

1.       A Escritura. Muitas vezes a vontade de Deus é apresentada na Escritura de maneira clara e detalhada.

2.       Muitas vezes é apresentada na Escritura de maneira ampla.

Deixe-me dar um exemplo. Imaginemos um jovem crente que conhece uma jovem não crente e passa a ter um relacionamento entre ambos. Então ele pede a benção de Deus sobre o seu noivado e casamento. Essa oração está errada porque ele está orando ao contrário de princípios bíblicos claros da Escritura. Não é correto orar sobre alguma coisa quando a Bíblia diz diferentemente (ver 2ª Coríntios 6:14). E nessa oração não adianta acrescentar no final: “no nome de Jesus”.

Certo pregador afirmou com muita convicção e acertadamente dizendo: “Devemos tornar a Bíblia em oração”. E nesse aspecto, A.W.Pink corroborou dizendo: “A Palavra de Deus deveria ser o nosso manual de orações”. Continua o mesmo autor dizendo: Visto que de nós é requerido orar “...no Espírito Santo...” (Judas 20), segue-se que as nossas orações deveriam seguir o padrão das Escrituras, posto que Ele é o seu autor do princípio ao fim. E disso se conclui, por semelhante modo, que segundo a medida em que estiver habitando em nós “ricamente” (ver Colossenses 3:16) a Palavra de Deus – ou então com pobreza – as nossas orações estarão mais ou menos em harmonia com a mente do Espírito, porquanto “...a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34).

O problema na oração é conhecer a mente de Deus e somente o Espírito conhece a mente de Deus. Leiamos 1ª Coríntios 2:11. “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.” Aqui vemos que somente o Espírito conhece a Deus por dentro, na sua totalidade.

Leiamos novamente Romanos 8:26-27. “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.”

Primeiro vemos: O próprio Espirito nos ajuda em nossas fraquezas.

Segundo: O próprio Espírito intercede por nós.

Terceiro: O próprio Espírito intercede segundo a vontade de Deus pelos santos.

A esta altura precisamos perguntar: A quem o Espírito ajuda? Resposta: Os Santos, e somente eles, conforme o verso acima.

Podemos ler no Evangelho de João o seguinte: “Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.” (João 9:31).

Não adianta pedir a um descrente que ele deve orar se tiver algum problema, porque isso não é correto. Se você o fizer, o que você estará pedindo a ele? Você estará pedindo que Ele fale com Deus. Mas ele está perdido, ele nunca foi através do Único Mediador entre Deus e o homem. Você estará pedindo que ele dê uma volta ao redor do Mediador, e dessa forma não haverá resposta porque a vontade de Deus só se realizará através do Único Mediador, Jesus Cristo. Mas o pecador está separado de Deus, ele está morto nos seus delitos e pecados, ele não tem vida espiritual. Esse pecador e Deus não estão falando um com o outro, não tem relacionamento e a única forma para haver relacionamento tem que ser nas condições de Deus.

Vejam; “o Espirito nos ajuda”, não porque merecemos esta ajuda, mas porque nos tornamos filhos de Deus baseados na Sua graça. Então o Espírito nos ajuda a orar. O pecador não tem prazer em Deus como está escrito: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura” (1ª Corintios 2:14),  mas quanto aos seus santos está escrito: “Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus;...” (Salmos 73:28). “Qual é o fator que, sob a benção do Espírito Santo, produz e promove essa alegria na oração? Em primeiro lugar, é o deleite do próprio coração em Deus, como o grande Objeto da oração; e, mais particularmente, o reconhecimento e a percepção de Deus como nosso Pai. Por essa razão é que quando os discípulos pediram ao Senhor Jesus que lhes ensinasse a orar, Ele respondeu: “...vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus...” (Mateus 6:9). E também se lê: “E, porque sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba (termo hebraico que significa “Pai”), (Gálatas 4:6).

Quando é que O Espírito nos ajuda a orar? Em certo sentido Ele sempre nos ajuda, em todas as nossas fraquezas, quando passamos por tentações, por privações, por necessidades, etc.

A não ser que o Espírito nos ajudasse, nós nunca conseguiríamos orar como convém. É o Espírito que nos traz a convicção do pecado, a conversão, a santificação e é o Espírito que nos capacita a orar.

Quando pensamos em oração nós sempre pensamos em ir ao Pai, e então sempre pensamos em ir através do Filho, mas quase sempre esquecemos que o Espírito também está envolvido.

Há um verso na Escritura que é esclarecedor, está em Efésios 2:18. “Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.” Este verso nos diz que vamos ao Pai através de Cristo, e isto pelo Espírito. Não há assistência aos santos de Deus à parte do Espírito.

“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” (Romanos 8:26) Aqui vemos mais uma vez a conexão da responsabilidade do crente e a soberania de Deus. Vemos o crente orando e o Espírito ajudando. Em suma, vemos a cooperação espiritual. “A oração eficiente é um quarteto: o Pai, o Filho, o Espírito Santo e o cristão, disse John Blanchard”.

 Mas, porque não sabemos orar como convém, o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Isso significa que o Espírito nos dá as palavras certas para expressarmos a Deus o que está de conformidade com a sua vontade, ou Ele ajunta aos nossos gemidos em qualquer anelo ou aspiração que não cabe dentro dos limites das palavras. O mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Como já disse Phillips Brooks: “Oração, em sua definição mais simples, é meramente um desejo expresso aos ouvidos de Deus”.

O mais importante na oração, é que o desejo do nosso coração esteja em que a vontade de Deus seja feita. E é aqui que necessitamos da assistência do Espírito: Capacitar-nos a orar de acordo com a vontade de Deus revelando-nos a Sua vontade.

Como disse Al Martin, “Em última análise, que é oração? É a apresentação da minha incapacidade diante de Deus” – pois, “não sabemos orar como convém”.

“O propósito da oração não é fornecer a Deus o conhecimento das coisas de que precisamos, mas confessar-lhe nosso sentimento de necessidade”¹.

Oh! irmãos e irmãs, isto deve ser nosso alvo, que o principal objetivo da oração é que Deus seja glorificado na resposta. Que o Senhor nos dê a graça para compreendermos a real essência da oração, nos capacitar nesse santo dom e nos livrar de somente proferirmos meras palavras.

“Com frequência digo minhas orações,

Mas, realmente chego a orar?

E harmonizo os desejos do coração

Com as palavras que profiro?

Equivaleria a ajoelhar-me

E a adorar deuses de pedra,

Se apenas ofereço ao Deus vivo

Orações que são somente palavras”.



“...Senhor, ensina-nos a orar,...” (Lucas 11:1)



Por: Levi Cândido

                                                            Soli Deo Gloria



Notas:

¹A.W.Pink; ²Pérolas para a vida;

Também nesse artigo foram aplicados alguns pensamentos de John Blanchard concernente à oração.

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domingo, 2 de agosto de 2015

Regenerados Pela Palavra de Deus


“Pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a Palavra de Deus, a qual vive e é permanente”. 1ª Pedro 1:23

A palavra “regenerados” que tem o significado de “gerados de novo”, implica que a primeira geração fora corrompida e houve a necessidade de ser refeita segundo o propósito daquele que a estabeleceu. Em “primeira geração”, refiro-me a toda raça humana proveniente de Adão conforme lemos em Atos 17:26. “E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;”

Todos nós fomos gerados primeiramente de semente corruptível pelo primeiro nascimento. Somos corruptos por natureza. É importante atentarmos no que diz a Palavra de Deus a este respeito. “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras. O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos,” (Sl 58:3-4) Há um pensamento que diz: “Devemos nossa criação a Deus, e nossa corrupção a nós mesmos”. Matthew Henry também enfatizou este ponto quando disse: “A graça não corre no sangue, mas a corrupção sim. Pecador gera pecador, mas santo não gera santo”. Nascemos neste mundo portadores de um coração maligno inclinado à corrupção como nos diz o Senhor através do profeta Jeremias 17:9. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”

Nós mesmos ficamos abismados do que fomos capazes de ter feito no passado, e de que somos capazes de fazer se não for o Senhor por sua misericórdia e graça em nos restringir e guardar. Alguém já disse que “Como pela graça de Deus somos o que somos, também por Sua graça é que não somos o que não somos...ela desfaz o que éramos e nos torna o que somos”. As evidências deste coração perverso manifestam-se por toda parte, basta lermos o evangelho de São Marcos 7:21-23 para depararmos com esta realidade indiscutível. “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.”

Thomas Brooks sustenta este ponto quando disse: “Existe a semente de todos os pecados – dos pecados mais vis e piores – no melhor dos homens”. As Escrituras Sagradas nos mostram que para este coração corrupto não existe remédio suficiente para remoção de suas manchas. “Por isso, ainda que te laves com salitre, e amontoes sabão(“potassa” em outra versão), a tua iniqüidade está gravada diante de mim, diz o Senhor DEUS.” (Jr 2:22) Ainda que fôssemos lavados com salitre (provavelmente, o carbonato de sódio usado para fabrico de sabão, um álcali mineral), e com abundância de potassa (o álcali vegetal correspondente, obtido de cinzas de plantas) – eram dois dos mais poderosos detergentes conhecidos, ambos usados na lavagem e embranquecimento de vestes, e também na refinação de metais -, digo; ainda que fôssemos lavados com esses elementos, continuaria a mácula de nossa iniqüidade perante o Senhor. Nosso mal é incurável. “Porque assim diz o SENHOR: A tua ferida é incurável; a tua chaga é dolorosa. Não há quem defenda a tua causa para te aplicar curativo; não tens remédios que possam curar.” (Jr 30:12-13). Dizem que “A esperança é a última que morre”, mas não há nenhuma esperança para o homem que rejeita a Cristo e não deseja estar sob o seu governo para ser restaurado por Ele. “E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim.” (Lc 19:27). “As pessoas que não tem Cristo como rei para reinar sobre elas jamais terão seu sangue para salvá-las”, dizia Thomas Watson. No evangelho segundo São Mateus no capitulo 5 versículo 8, lemos sobre uma das características que definem aqueles que verão a Deus: os limpos de coração.“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;”

Com o coração com o qual nascemos jamais poderíamos ver a Deus, pois Ele é Santo e tão puro de olhos que não pode contemplar o mal. Outrossim, após o pecado consumado, o Paraíso é incompatível com o estado pecaminoso do homem. Inconcebívelmente é a idéia que muitos sustentam de que poderão entrar no céu e ver a Deus, supondo que o Senhor não levará em conta o seu estado. Mas o Senhor Jesus Cristo foi decisivo em suas palavras: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. (cf Jo 3:3). O homem em seu estado natural não pode ver, e muito menos entrar no reino de Deus se não nascer da água e do Espírito.

O homem não regenerado é corrupto por natureza e é pura insensatez supor que entrará no céu sem passar por uma cirurgia espiritual de coração. Tal homem pensa que Deus não daria tanto valor à sua lei? “Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era tal como tu, mas eu te argüirei, e as porei por ordem diante dos teus olhos:” (Sl 50:21). Foi devido á concepção do estado de seu coração maligno revelado por Deus, que o rei Davi confessou: “Cria em mim, ò Deus, um coração puro, e renova dentro em mim um espírito inabalável”. (cf. Sl 51:10).

O Senhor convida a todos a reconhecerem cada um a chaga de seu coração para receberem o devido tratamento espiritual, a fim de que sejam salvos e santificados por Ele. “Toda a oração, toda a súplica, que qualquer homem de todo o teu povo Israel fizer, conhecendo cada um a chaga do seu coração, e estendendo as suas mãos para esta casa, Ouve tu então nos céus, assento da tua habitação, e perdoa, e age, e dá a cada um conforme a todos os seus caminhos, e segundo vires o seu coração, porque só tu conheces o coração de todos os filhos dos homens.” (1ª Re 8:38,39).

Necessitamos confessar perante o Senhor como alguém já o fez do seguinte modo: “As obras das minhas mãos não podem cumprir as exigências da Tua lei; mesmo que meu zelo não conhecesse descanso, e minhas lágrimas fluíssem para sempre, nada disto poderia fazer expiação pelo pecado; Tu, e Tu somente, tens que me salvar. Nada trago nas minhas mãos – tão somente agarro-me à Tua cruz. Desnudo, venho a Ti procurando vestimenta, desamparado, busco em Ti a graça, sujo, vou correndo à Fonte, lava-me, Salvador, senão perecerei”. “Cura-me, SENHOR, e sararei; salva-me, e serei salvo; porque tu és o meu louvor.” (Jr 17:14) Em nosso texto base podemos contemplar a gloriosa graça de Deus e o poder de sua Palavra. “...Pois fostes regenerados... mediante a Palavra de Deus...”.

Esta é a espada do Espírito que regenera. Pela Sua misericordiosa graça Deus nos gerou de novo, dando-nos um novo coração, tirando o nosso coração de pedra e dando-nos um coração de carne através de nossa morte e ressurreição em Cristo. “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.” (Ez 36:26,27). Esta profecia foi cumprida plenamente pelo Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. “Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. E é por Cristo que temos tal confiança em Deus;” (2ª Co 3:3-4) E através de qual instrumento o Senhor aplica esta obra de regeneração em cada um de nós?

Respondo biblicamente: pela Palavra de Deus. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hb 4:12). Entre todos os instrumentos mais eficazes e poderosos do mundo, nenhum se compara à Palavra de Deus. Ela é o martelo que esmiúça a penha, é a espada do Espírito, é o capacete da salvação, é o poder de Deus que gera vida. Deus criou os céus e todo o exército deles pelo sopro de sua boca. Ele disse: “Haja luz, e houve luz...”. O Senhor criou, cura, regenera, santifica e sustenta pela sua Palavra. Digna de inteira aceitação é a Palavra do Senhor. Também por ela os homens serão julgados diante do tribunal do Justo Juiz e Senhor de todos. A Palavra de Deus tem o poder de realizar tudo aquilo para o qual foi designada. Quando a palavra do Senhor é pronunciada de acordo com a Sua vontade, Ele mesmo vela sobre a mesma para o seu inteiro cumprimento. “E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la.” (Jr 1:12).

“Há apenas uma única coisa realmente inevitável: é necessário que as Escrituras se cumpram”. O caminho de um homem só pode ser endireitado e purificado pela observância à Santa Palavra de Deus. Porque ela é puríssima, tem o poder de purificação; porque ela é santa, tem o poder de santificação; porque ela é viva tem o poder de regeneração. Igualmente, digna de inteira aceitação por sua fidelidade é o fato de que esta Palavra “vive e é permanente”. Os céus e a terra um dia passarão, mas esta Palavra não irá passar, daí que todos os que foram regenerados por ela terão vida eterna em Cristo Jesus. Louvado seja o Senhor pela regeneração mediante a sua Palavra que vive e é permanente.

Amém!

( Levi Cândido )

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