terça-feira, 4 de agosto de 2015

A Soberana Vocação


Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fp 3:13-14)

Há muitas coisas que gostaríamos que fossem apagadas do nosso passado. Existem certas lembranças amargas que ressurgem inesperadamente com a tendência de sufocar o gozo presente e nos paralisar em nossa caminhada. Ficar volvendo-se ao passado, “descobrindo defunto”, submetendo-se àquilo que não podemos alterar no curso de nossa existência, é pura insensatez e causa profunda depressão e paralisia espiritual. Além disso, há também os atalhos e desvios do caminho que se apresentam para desviar-nos das realidades espirituais, pois “a tendência das coisas visíveis é desviar-nos das realidades invisíveis”. Outrossim, os diversos aspectos que se apresentam, tais como: sentimentos de perda, de posse, de culpa, de angústia, etc., associando-se às frustrações passadas e os prazeres ocos do mundo, constituem-se em tropeços para o progresso da vida cristã. “A religião de algumas pessoas faz-me lembrar de um cavalinho de balanço, que se movimenta, mas não avança”, dizia Rowland Hill. Porém, há um perigo destruidor se, ao invés de avançarmos para o alvo, ficarmos a mirar as derrotas e fracassos do passado, bem como ter os nossos afetos voltados às coisas deste mundo. Somos advertidos pelo nosso Senhor Jesus a este respeito: “Lembrai-vos da mulher de Ló”. (Lc 17:32) Não obstante Ló, sua mulher e suas duas filhas serem advertidos pelo Senhor através de seus mensageiros para que “não olhassem para trás”, mas fugissem para o monte a fim de não perecerem no caminho, contudo, nos é dito que “a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal”. (Gn 19:26) É interessante compreendermos o significado da expressão “olhou para trás”. Esta expressão em hebraico significa literalmente “demorou-se”, indicando que os desejos relativos à luxúria perdida eram bem mais fortes do que o interesse que a salvação gratuitamente oferecida pelo Senhor lhe podia despertar¹. “Se você quer fugir de Deus, o diabo lhe emprestará tanto as esporas como o cavalo.”, dizia Thomas Adams. Por isso o Senhor Jesus tomou como exemplo este fato para advertir-nos quanto à época de sua volta. “a certeza da segunda vinda de Cristo deve tocar e impregnar cada parte do nosso comportamento diário”, dizia John Blanchard. A igreja de Cristo aspira pela vinda do Seu Amado. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Ap 22:17) Alguém já disse que “a vontade do homem é governada por aquilo que ele ama”. Precisamos considerar o que diz Cristo: “Porque onde está o teu tesouro, ai estará também o teu coração”. (Mt 6:21) Um cristão anônimo ajuda-nos a repensar: “quanto mais do céu desejamos, menos da terra cobiçamos”. Irmãos e irmãs, precisamos reavaliar nossa vocação cristã à luz da Palavra de Deus. É imprescindível que atentemo-nos à carreira cristã que nos está proposta. Aqueles que não sabem para onde estão indo, não importa qual o caminho a seguir, mas quanto aos filhos de Deus, eles foram chamados para um alvo definido e supremo: a esquecerem as coisas que para trás ficam e avançar para as que diante deles estão, prosseguindo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Isto não significa que jamais nos lembraremos das coisas passadas. Isto acontecerá somente quando estivermos com o Senhor na Sua glória. “Todos os males decorrentes do pecado no mundo atual serão esquecidos no mundo novo”. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Ap 21:4) Se lermos com atenção alguns versos do capítulo 3 da epístola aos Filipenses, nos versos 5 e 6 por exemplo, vemos o apóstolo Paulo lembrando do passado. Ele estava lembrando de que teria motivos suficientes de gloriar-se na carne (v. 4). Surgiram as lembranças de quando ele era religioso legalista (v.5), e até mesmo lembrou-se que outrora foi um fariseu tão zeloso – e cego, é claro - que chegou a perseguir a igreja de Cristo (v. 6). Ele lembrou-se noutra ocasião em que consentiu no apedrejamento e morte de Estevão. Ah! Como Paulo gostaria de esquecer de todas estas coisas! Mas o que ele nos ensinou mais adiante (Fp 3:13-14), é que o que ele era no passado, e o que fez outroramente, não poderiam interpor-se em tropeços em seu caminho, porque agora ele tinha um alvo supremo, um prêmio a alcançar: “a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Ele tinha convicção de que a despeito do que ele fora e praticara no passado, era devido exclusivamente à graça de Deus o que agora era. “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou...”, disse ele. (I Co 15:10ª) “A graça de Deus transforma o indigno...ela desfaz o que éramos e nos torna o que somos”. Ao considerarmos o contexto dos versos de nossa reflexão, podemos ver que o apóstolo Paulo estava tratando a respeito da perfeição. Vejamos os versos 12 e 15 do capítulo 3 da epístola aos Filipenses. “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também conquistado por Cristo Jesus. Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará.” Conforme alguns estudiosos das Escrituras já observaram, é muito provável que houvesse um grupo de “perfeccionistas” em Filipos, que sustentavam a perfeição quantitativa do cristão, o que Paulo desmentiu em sua própria experiência conforme o verso 12. Então, alguém poderá questionar; porque Paulo disse no verso 15 que “todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento...” (?) Se fizermos a comparação deste versículo com o mesmo versículo da tradução da NVI ², veremos uma palavra interessante; “Todos nós que alcançamos a maturidade...”, assim expressa esta tradução. Creio que esta perfeição ou maturidade a que Paulo referiu-se aqui, está relacionada à “soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”, e esta é alcançada de fé em fé, de glória em glória, até ao dia de Cristo Jesus. “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus”. (Fp 1:6). “Deus cuida de nós, purifica-nos e continua sua obra em nós, até levar-nos ao fim de sua promessa”. O texto de 1ª Pedro 5:10 é bem esclarecedor: “Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar”. Alguém dentro deste contexto já refletiu: “os melhores cristãos que existem entre nós são apenas cristãos em formação; de forma nenhuma são produtos acabados”. Na verdade, em nós mesmos não somos perfeitos enquanto estivermos nesta terra, mas graças a Deus temos a vida do Seu Filho, logo, temos nele a perfeição. A vida que agora vivemos na carne, vivemos pela fé do Filho de Deus. “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; e estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;” (Cl 2:9-10). Já foi dito por alguém que “o cristão perfeito é aquele que tendo consciência de seus próprios fracassos está decidido a avançar para o alvo confiando somente na graça de Cristo”. Irmãos e irmãs, a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus era o prêmio que o apóstolo Paulo tanto almejava alcançar e trata-se da conformidade à imagem do Filho de Deus. Esta também deve ser a aspiração de todo filho de Aba. “Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim...” (Gl 1:15-16ª) “aprouve a Deus revelar seu Filho em mim” – não para mim, mas em mim -, esta é a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Este alvo supremo o apóstolo Paulo declarou às igrejas por onde passou. Podemos ver o que ele disse à igreja da Galácia: “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 6:15,19-20ª). Vejamos também o que ele disse à igreja de Corinto: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (II Co 5:17). Paulo demonstrava esta aspiração não somente com respeito a si próprio, mas desejava o mesmo pelos irmãos em geral; a igreja de Cristo. “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós;” (Gl 4:19). Paulo estava decidido; ele não estava preocupado com sua sorte pessoal, mas regozijava-se na esperança da glória que receberia de Deus em Cristo Jesus. “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” (Fp 1:20-21). Observem irmãos; toda a vida de Paulo (pensamentos, atos, atitudes, etc.) estava relacionada com Cristo que o conquistara. Irmãos e irmãs, ao adentrarmo-nos num novo ano, que seja esta a mesma aspiração que tinha o apóstolo Paulo: “Para mim, o viver é Cristo”. Cristãos, somos peregrinos e forasteiros neste mundo, logo estaremos no lar que nosso SENHOR nos preparou. “Este mundo é nossa passagem, não nossa porção”, disse Mathew Henry. E John Flavel também disse algo muito precioso: “Cristo acabou sua obra por nós? Então não pode haver dúvidas que Ele também acabará sua obra em nós”. Isto é muito consolador irmãos; “o que o SENHOR começou na alma ou no mundo Ele levará até ao fim” . William Gurnall também disse: “A vida da glória de Cristo está inseparavelmente ligada à vida eterna de seus santos”. Ó amados, a despeito de vossas aflições e adversidades da vida, “deixa que Deus ordene os teus caminhos e espera nEle, o que quer que aconteça; nEle terás nos duros e maus dias tua suficiente Força e direção. Quem no perene amor de Deus confia sobre a Rocha Inabalável edifica”. “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Rm 8:28-29) Gostaria de concluir este estudo com a seguinte observação já feita por alguém: “Olhar para Ele nos faz estar firmes e andar por fé. Andar pela fé que é do Filho de Deus, e completarmos a carreira que nos está proposta: “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus...”(Hb 12:2) Amém.

(Levi Cândido)


( NOTAS ) 1 “CONFORME COMENTÁRIO BÍBLICO VIDA NOVA”
2 NVI “BÍBLIA NOVA VERSÃO INTERNACIONAL”



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“ATRAÇÃO ESPIRITUAL”

De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.” (Jr 31:3)

Assim inicia-se certo cântico: “A minha alma estava longe do caminho de Deus, Eu era cego e desprezível, pecador, Mas Jesus transformou minhas trevas em luz, Quando ele estendeu sua mão para mim...”.

De fato, “o Calvário é a grande prova de que nenhum homem pode fazer alguma coisa no sentido de merecer a salvação. Do princípio ao fim ela é obra de Deus”. Não fomos nós que estendemos a mão para Jesus a fim de sermos salvos, mas Ele estendeu sua mão para nós a fim de nos salvar.
Está escrito: “Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR? Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.” (Is 53:1, 59:16) “...Merecemos a condenação, mas Ele nos justificou, merecemos o inferno, mas Ele nos livrou. Graça, absolutamente graça! (Tomaz Germanovix)
Como o próprio tema nos sugere, “atração espiritual” é algo realizado por Deus, e qualquer ação correspondentemente positiva por parte do homem, no âmbito espiritual, deve-se inteiramente à graça divina, “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11:36)
C.S.Lewis foi muito enfático em sua consideração ao expressar-se: “Agnósticos amáveis falarão alegremente de como o homem procura a Deus. Para mim, eles podem também falar sobre como o rato procura o gato...Deus encostou-me na parede”.
Estávamos perdidos, foi Ele quem nos encontrou (Ex 3:18), foi o Senhor pelo Seu divino poder “que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos,” (II Tm 1:9) De fato, se o Senhor não nos atraísse a Ele mesmo, não teríamos o mínimo interesse Nele, e não desejaríamos buscá-Lo voluntariamente. Assim nos diz a Sua Palavra: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (I Jo 4:19)
Ora, “a capacidade de amar nos é concedida pelo amor de Deus derramado em nossos corações”, conforme podemos certificar-nos lendo II Corintios 5:14, Gálatas 5:22 e Romanos 5:5. “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. Mas o fruto do Espírito é: amor,... Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” É o amor de Deus a causa primária de nossa atração a Ele, e a força motriz que nos constrange a viver para Ele. Fomos atraídos pelo Senhor com laços de amor, e uma vez enlaçados, ninguém poderá desatá-lo, pois assim cremos nas Escrituras que diz: “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.” (Os 11:4) Foi considerando este amor benigno, eterno, imutável, soberano, que o apóstolo Paulo exclamou: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8:35-39)
Oh, amor santo, veraz, paternal. Amor bendito que sana todo mal. Viva Fonte de amor inesgotável, sem fim: amor que estende ao mundo e alcança a mim!
Irmãos e irmãs, vocês já foram atraídos por este amor constrangedor? Pois saibam, se foram chamados pela gloriosa graça de Deus, se foram salvos por essa soberana graça em Cristo Jesus, então é porque vocês foram atraídos com amor eterno e serão eternamente constrangidos a viverem para a glória de Deus, pois o amor de Cristo para os Seus, é sempre contínuo, sempre presente, sempre permanente, sempre ativador. Certo cristão disse com razão: “Se um dia Jesus me fez Seu, para sempre Jesus é meu”. Nós, os cristãos, somos presentes de Deus Pai ao Filho do Seu amor. Foi assim que nosso Senhor expressou-se a esse respeito: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.” (Jo 6:37)
Somos presentes do amor do Pai para a satisfação de Seu Filho Jesus Cristo. À parte da revelação divina, ninguém poderá de si mesmo ir a Cristo, porquanto está escrito: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim.” (Jo 6:44-45)
Pensar nesta relação divina nos enche de gozo. Saber que em nós não havia mérito algum, nenhum requisito positivo que nos recomendassem diante do Senhor (senão, somente negativos), não obstante, Ele nos amou, Ele nos salvou, Ele nos conquistou. Dentro do Seu propósito eterno, Deus “nos abençoou com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Ef 1:3-4)
Então pelo ato gracioso do Pai, Ele nos revelou pelo Seu Espírito a primazia do Seu Filho, conforme podemos ler em São Mateus 16:17. “Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas (e esta bem-aventurança aplica-se igualmente a cada regenerado), porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.” Os irmãos percebem que conhecer a Cristo é assunto de revelação do Deus Pai? Então quando o Espírito Santo nos revelou que Cristo é a plena suficiência de Deus, percebemos que não podíamos conhecer o Pai à parte do Filho, porquanto Ele é a exata expressão do Deus Altíssimo. “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11:27)
Irmãos, disto depreendemos que é o Pai quem nos revela o Filho, e o Filho quem nos revela o Pai, e tudo pelo Seu Espírito. Sem esta revelação exclusiva através do Espírito Santo, estaríamos eternamente perdidos, pois foi Ele quem nos deu vida estando nós mortos em nossos delitos e pecados. Reconhecermos a Cristo como nosso Senhor e Salvador é obra divina do Espírito Santo. “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.” (Jo 16:8-9,14-15)
Que caiam por terra toda a presunção humana que supõe que é da competência do homem, pelo seu “livre arbítrio”, qualquer decisão de escolha e/ou rejeição de sua salvação. Todos os seres humanos vêm a este mundo, mortos espiritualmente - isto todos precisam saber -, totalmente depravados, a caminho do inferno e, graças a Deus, O Senhor, segundo o Seu amor eletivo, pela sua misericordiosa graça levantam alguns dentre os mortos para a vida eterna. Isto não anula a responsabilidade humana, indubitavelmente - todos precisam buscar refúgio em Cristo -, mas confere toda glória a Deus, visto que Ele é o Autor da nossa salvação.
As Escrituras Sagradas nos mostram que fomos atraídos por Cristo no ato de Sua crucificação, conforme o evangelho de João 12:32. “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” Crucificados juntamente com Ele, fomos mortos e sepultados para a velha vida adâmica do pecado. “sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado.” (Rm 6:6-7) Mas, bendito seja Deus, nosso Senhor foi ressuscitado “e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus;” (Ef 2:6) Agora Nele vivemos e temos a Sua promessa infalível e irrevogável de nossa redenção final. “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” (Fp 3:20-21)
Irmãos e irmãs, antes de encerrarmos esta reflexão, gostaria de dizer-vos algo ainda, também de muita importância. Cristo é o anelo do Pai e fora Dele (digo com reverência), O Deus três vezes Santo não pode receber ninguém para junto de Si. Por mais duro que isso possa parecer, se alguém não tem o Filho de Deus, tampouco terá o Pai e Seu Espírito, e estará definitivamente perdido. E agora, dirijo-me aqueles que ainda não receberam a Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas: Se vocês não nascerem de novo, se não sujeitarem-se à soberania de Cristo para que sejam salvos e manterem-se rebeldes contra Cristo, terão convosco esse pecado imperdoável e serão eternamente banidos da face de Sua glória. Diz-nos o Senhor em Lucas 19:27 : “Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença.”
Mesmo sendo puros os nossos motivos, mesmo sendo nobres as nossas intenções, mesmo sendo bem intencionados os nossos propósitos, mesmo sendo sincero os nossos esforços, Deus não nos reconhecerá como Seus filhos, até que recebamos o Seu Filho como a nossa suficiente salvação providenciada por Ele.
“A razão pela qual esperamos o perdão dos pecados, e vida eterna, pela fé no Senhor Jesus, é que Deus assim determinou. Ele jurou por si mesmo no evangelho salvar todos os que confiam no Senhor Jesus de verdade, e Ele nunca fugirá da Sua promessa. Ele tanto se agrada de Seu único Filho, que Ele tem prazer em todo aquele que O segura firme como sua única esperança. O grande Deus, ele mesmo toma conta dele que se apoderou de Seu Filho. Ele obra a salvação em todos os que procuram essa salvação do Redentor que foi morto. Pela honra do Seu Filho, Ele não permitirá que o homem que nele confia seja envergonhado. “Quem crê no Filho tem a vida eterna”, pois o Deus que vive eternamente O tomou para si mesmo, e o fez coparticipante da Sua vida. Se você confiar somente em Jesus, você não precisa temer, pois efetivamente será salvo, tanto agora e no Dia de Seu advento. Quando um homem O toma por Fiador, há um ponto de união entre ele e Deus, e essa união garante bênçãos. A fé nos salva porque nos faz agarrar-nos a Cristo Jesus, e Ele é um com Deus, e isso nos leva a uma conexão com Deus. (C.H.Spurgeon)
Atentemo-nos amados, só há um motivo, só há uma explicação o fato de sermos aceitos por Deus: É estando-nos em Cristo e Cristo em nós. Irmãos e irmãs, vós sabeis qual é o propósito central para o qual Deus entregou o Seu Filho por nós? É para tê-Lo de volta em cada um de nós. A igreja é a noiva do Cordeiro, e foi por ela que Cristo se entregou “para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.” (Ef 5:25-27)
Fomos atraídos pelo Senhor para que Cristo ocupe o lugar de primazia em nós, e esta é a soberana vocação dos eleitos de Deus: “meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós;” (Gl 4:19)
Esta é a aspiração de todo filho do Aba. Agostinho de Hipona anelava: “Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso”.
“O meu amado fala e me diz: Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem.” (Ct 2:10)
“Desde que, pela fé, eu vi a fonte de suprimento que das tuas chagas fluem, o amor redentor tem sido o meu tema, e continuará a sê-lo até que eu morra”. Cristo amou a Sua igreja, como também O ama a cada crente individualmente, e amará até o fim. “Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. (Jo 13:1)
Nós em Cristo e Cristo em nós, isto é fruto do seu amor atrativo e eterno.
“logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.”
(Gl 2:20)

“É meu anelo Jesus,
Ser conquistado por Ti.
Atrai-me mais com o Teu amor
E correremos pós Ti.
Beijado sou pelo Pai,
Desfruto Teu forte amor.
O mundo, então, já não me atrai;
Só quero a Ti, meu Senhor.
Jesus, o meu Amado, Me conquistou;
E qual jardim fechado, somente Dele eu sou!
Teu nome! Como esquecer?
É minha satisfação;
Qual derramado unguento em mim,
Ungindo meu coração.
Ó Fonte do meu prazer,
Declaro hoje a Ti:
Sou Teu, Amado, de mais ninguém;
Jesus, eu amo a Ti!”


(Levi Cândido)


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"Morra eu com os Filisteus"


 “...Morra eu com os filisteus...(Juízes 16:30ª)

 “Morra eu com os filisteus”. Estas foram as últimas palavras de Sansão. É muito instrutivo considerarmos os relatos bíblicos sobre Sansão e o que o levou a tomar esta resolução estando naquela condição. Convido-vos à reflexão sobre alguns aspectos relacionados a Sansão e o que poderemos retirar como lições aplicativas a nós. Consideraremos então: a) A vocação e o ministério de Sansão b) A fraqueza de Sansão c) A morte de Sansão e sua vitória definitiva

 1. A VOCAÇÃO E O MINISTÉRIO DE SANSÃO
Ninguém que já leu a Bíblia concernente a vida de Sansão, poderá negar que ele foi um instrumento escolhido por Deus e separado para o cumprimento do propósito divino em libertar o Seu povo Israel do jugo dos filisteus. Sansão foi separado por Deus para exercer o seu ministério como juiz e defensor do povo Israel contra os filisteus. Ele foi alvo deste chamamento divino para este propósito antes mesmo de nascer. “Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus”. (Jz 13:5) Como foi no caso de Sansão concernente ao seu chamamento, também o é em relação aos filhos de Deus. Eles foram separados por Deus antes mesmos de nascerem e chamados pela sua graça para o supremo propósito Dele. “Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim...”(Gl 1:15-16ª) Podemos ver algo muito precioso neste texto. a) A vocação cristã legítima é de procedência de Deus somente. Ele é quem separa e chama os seus para o Seu propósito eterno. Notem; não foi quando Paulo quis, mas quando “aprouve a Deus”. “Deus escolheu-nos para seu amor e agora nos ama por causa de sua escolha”, dizia John Trapp. b) O propósito desta separação e vocação é soberano: “revelar o Seu Filho”, não para mim, diz Paulo, mas em mim. O supremo propósito do Pai celestial é que “Seu Filho seja tudo e em todos”(cf..Colossenses 3:11). Outro texto das Escrituras que nos esclarece este ponto está registrado em Romanos 8:28-30. Ali lemos: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”. Este é o supremo propósito de Deus. E o Senhor está levando à efeito este desígnio soberano. As obras de suas mãos Ele não renunciará. Um outro aspecto importante relacionado ao ministério de Sansão diz respeito ao fato de onde consistia a sua força. Havia um pacto estabelecido pelo Senhor. Enquanto este pacto era mantido, Sansão tinha êxito, subjugava seus adversários e mantinha a vitória para o seu povo. É sumamente importante esta observação: A suficiência de Sansão não provinha dele próprio, mas provinha de outra Fonte, a saber; do SENHOR. “Desceu, pois, Sansão com seu pai e com sua mãe a Timnate; e, chegando às vinhas de Timnate eis que um filho de leão, rugindo, lhe saiu ao encontro. Então o Espírito do SENHOR se apossou dele tão poderosamente que despedaçou o leão, como quem despedaça um cabrito, sem ter nada na sua mão; porém nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito”. (Jz 14:5-6) Tanto nesta passagem como em outros versos (ex: v.19 ; 15:14 ...) vemos que a força de Sansão provinha do Espírito do SENHOR. De igual modo, “ os crentes por si mesmos não possuem vida, poder e vigor espiritual. Tudo o que possuem em sua vida espiritual, procede de Cristo”, dizia J.C.Ryle . “ Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus”. (2 Co 3:5) Por isso, Agostinho de Hipona disse acertadamente: “Toda a nossa suficiência sem a suficiência de Deus é apenas deficiência”. Como podemos observar, o êxito de Sansão em seu ministério dependia tão somente da manutenção do pacto estabelecido pelo Senhor, sendo a observância daquele pacto sinal de sujeição e fé no Senhor. “Agora, pois, guarda-te de beber vinho, ou bebida forte, ou comer coisa imunda. Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus”. (Jz 13:4-5) Os crentes do mesmo modo, foram chamados a permanecerem no Senhor, de onde provém toda a graça para suas necessidades e êxito em seus empreendimentos. Jesus disse: “Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. (Jo 15:4-5) Observem irmãos, as condições de alta produtividade sugeridas por uma relação vital e contínua com Cristo: “Permanecei em mim”. Notem também o verso 5; Ele não diz: “vós podeis fazer um pouco”, mas nada. Assim como Sansão deveria depender continuamente do SENHOR mantendo o pacto estabelecido por Ele, os cristãos devem em tudo depender do SENHOR Jesus Cristo, pois à parte Dele, nada podemos fazer. Por isso as obras dos cristãos estão sendo reveladas pelo fogo, portanto, se elas têm origem em Cristo permanecerão, se não , estas obras se queimarão. “ E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo”. ( 1 Co 3:12-15) Sansão deveria manter o pacto em sujeição ao SENHOR até ao fim, porém veremos adiante a quebra deste pacto que resultou em separação do SENHOR, perdas, sofrimentos e humilhações a Sansão .

2. A FRAQUEZA DE SANSÃO
 “ E desceu Sansão a Timnate; e, vendo em Timnate uma mulher das filhas dos filisteus, Subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnate, das filhas dos filisteus; agora, pois, tomai-ma por mulher. Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque ela agrada aos meus olhos. Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do SENHOR; pois buscava ocasião contra os filisteus; porquanto naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel”. (Jz 14:1-4) É muito difícil envolver-se com algo sujo e sair-se sem as suas manchas. Alguém já disse que “O mundo é algo que suja e contamina. Dificilmente um homem pode andar aqui sem corromper suas vestes. Os homens do mundo são criaturas imundas, fuliginosas. Não podemos ter contato com eles sem que deixem sua imundície sobre nós”. Sansão envolveu-se com os filisteus. Seus olhos foram distraídos do propósito que lhe cabia observar diligentemente. Ele fora tomado de paixão pelas mulheres filistéias. Embora seus pais não aprovassem suas associações com as filhas dos filisteus, Sansão desejou tomar por mulher uma delas. “E desceu Sansão a Timnate; e, vendo em Timnate uma mulher das filhas dos filisteus, Subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnate, das filhas dos filisteus; agora, pois, tomai-ma por mulher. Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque ela agrada aos meus olhos. Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do SENHOR; pois buscava ocasião contra os filisteus; porquanto naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel”. (Jz 14:1-4) “Quando nossos olhos fitam objetos pecaminosos estão fora de sua vocação e da guarda de Deus”, dizia Thomas Fuller. Da mesma forma, os jovens cristãos não deveriam desejar relacionamentos amorosos ou contrair-se matrimônio com alguém incrédulo que não teme ao Senhor, nem ter envolvimentos que comprometam sua vida de comunhão com o Senhor e os irmãos, pois lemos nas Escrituras em 2ª Corintios no capítulo 6 nos versos 14 a 18 “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso”. Embora o SENHOR em sua soberania providenciou ocasião contra os filisteus conduzindo Sansão à terra destes, o dever de Sansão era manter o pacto com Deus, não alinhando-se ou envolvendo-se com eles, nem participando de suas iguarias. Porque está escrito: “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade”. (2 Tm 2:19) Foi neste sentido que Cristo orou ao Pai, não para que tirasse os cristãos do mundo, mas para que os livrassem do mal. “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade”. (Jo 17:15-17) John Blanchard corrobora este pensamento dizendo: “Jesus não orou para que seu Pai tirasse os cristãos do mundo, mas para que tirasse o mundo dos cristãos”. Os filisteus pertenciam ao mundo pagão. O deus adorado por eles era Dagon. A idolatria prevalecia-se naquela terra. Sansão não poderia conformar-se com eles, pois era nazireu de Deus. Nazireu conforme definição do dicionário inglês HOLMAN BIBLE DICTIONARY; NASHVILLE, TENESSEE : HOLMAN BIBLE PUBLISHERS , 1991; p.1011, “é um membro de uma classe de indivíduos especialmente clique aqui devotados a Deus. O termo hebraico significa consagração, devoção e separação. Duas formas tradicionais de nazireu são encontradas. Uma era baseada num voto pelo indivíduo por um período específico; outro era uma devoção por toda a vida, seguindo a experiência revelatória de um pai que anunciou o nascimento iminente de uma criança. Os sinais exteriores de um nazireu – o crescimento de cabelo, a abstenção de vinho e outras bebidas alcoólicas, a evitação do contato com os mortos – são ilustrativos de devoção a Deus”. A palavra de Deus em Tiago alerta sobre o perigo de uma amizade envolvente com um mundo que jaz no maligno. “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”. (Tg 4:4) John Brown disse “É infinitamente melhor ter o mundo inteiro como inimigo e Deus como amigo do que ter o mundo inteiro como amigo e Deus como inimigo”. E alguém também já pronunciou acertadamente: “Aquele que recebe a aprovação dos ímpios devem receber a desaprovação de Deus”. Mesmo já tendo experimentado anteriormente atos de traição de sua primeira amante filistéia (cf. Jz 14:15-17), Sansão persistiu no terrível erro em possuir aquilo que lhe era ilícito ( Dalila ), pois em Israel não era costume o povo tomar por esposas mulheres estrangeiras, pois era decreto do Senhor. “ E o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, das nações de que o SENHOR tinha falado aos filhos de Israel: Não chegareis a elas, e elas não chegarão a vós; de outra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor”. (1 Re 11:1-2) O mesmo que aconteceu com Salomão também foi com Sansão, e esses envolvimentos com mulheres estrangeiras implicaram em conseqüências desastrosas a eles por seus desvios da vontade do SENHOR. O reino de Salomão foi retirado dele pelo SENHOR e entregue posteriormente ao servo dele. (cf. 1 Re 11:9-13 ) Sansão além de perder a sua visão e ser feito escravo pelos filisteus, teve sua comunhão com Deus interrompida de onde provinha a sua força e vitória contra os seus adversários. “ Então ela (Dalila) o fez dormir sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça; e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força. E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E despertou ele do seu sono, e disse: Sairei ainda esta vez como dantes, e me sacudirei. Porque ele não sabia que já o SENHOR se tinha retirado dele. Então os filisteus pegaram nele, e arrancaram-lhe os olhos, e fizeram-no descer a Gaza, e amarraram-no com duas cadeias de bronze, e girava ele um moinho no cárcere”. (Jz 16:19-21) Para que Sansão não mais se tornasse em ameaça aos filisteus, estes vazaram-se os olhos dele, pois; que ameaça poderia ser um inimigo cego? Assim também, o inimigo do SENHOR e de nossas almas procura cegar os entendimentos dos homens para que fique obscurecida a luz do evangelho da glória de Cristo, pela qual a imagem de Deus é restaurada. “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. (2 Co 4:3-4)

3. A MORTE DE SANSÃO COM OS FILISTEUS E SUA VITÓRIA DEFINITIVA
 “E disse Sansão: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia; e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara em sua vida”. (Jz 16:30) Agora Sansão estava no pó; escravizado, cego, humilhado, fraco ... Mas creio que não foi somente esta percepção de Sansão que mais o entristecia, senão a percepção do fato de que por sua inobservância do pacto com SENHOR , o nome do seu Deus agora era blasfemado por um povo que não O temia e que até mesmo imputavam a seu deus Dagon, o haver entregado a Sansão em suas mãos. Penso que Sansão então sofria maltrato, humilhações, mas não tanto quanto o de ouvir dos lábios de seus inimigos: “o nosso deus Dagon entregou você em nossas mãos, Sansão”. Mas graças a Deus, pois “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”, diz o apóstolo Paulo em Rm 11:29. Sansão estava naquela condição, mas ele não fora destruído. O SENHOR não permitiu que os filisteus o destruísse, para que o Seu propósito em libertar o Seu povo do jugo dos mesmos fosse cumprido através de Sansão. Ele era um instrumento escolhido por Deus. Embora ele estivesse naquela humilhante condição, o SENHOR o amava e não desistiu dele. Graças a Deus, o SENHOR não desiste de nós! O SENHOR odeia o pecado, mas amou o seu povo perdido, e por isso, enviou o Seu Amado Filho para salvá-los, e libertá-los do pecado. Cristo Jesus pagou o preço de todos os pecados do Seu povo, tanto da antiga aliança, como da nova aliança, com o Seu precioso sangue. “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna”. (Hb 9:14-15) Este era também o ensino característico do apóstolo Paulo concernente à justificação por graça e fé no Senhor. Ele escrevendo à igreja em Roma disse no capítulo 3 versos 24 a 26 aos Romanos o seguinte: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”. Se um homem é salvo, ele o é apenas pela graça soberana de Deus. Vejam também o que Paulo disse aos efésios no capítulo 2 versos 8 e 9: “ Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.(Ef 2:8-9) Porque Sansão era escolhido por Deus, recebeu do SENHOR a fé, através da qual fora restaurado e habilitado para cumprir o propósito que Deus havia estabelecido. “E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos”. (Hb 11:32-34) “Morra eu com os filisteus”, foram as últimas palavras de Sansão, porém denotam sua fé e a vitória definitiva contra os seus inimigos. “Então Sansão clamou ao SENHOR, e disse: Senhor DEUS, peço-te que te lembres de mim, e fortalece-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos. Abraçou-se, pois, Sansão com as duas colunas do meio, em que se sustinha a casa, e arrimou-se sobre elas, com a sua mão direita numa, e com a sua esquerda na outra. E disse Sansão: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia; e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara em sua vida”. (Jz 16:28-30) A morte de Sansão com os filisteus foi a emancipação de sua vida vitoriosa. Notem; Sansão não diz: “morra eu para os filisteus”, e tampouco diz; “morra os filisteus para mim”, mas; “morra eu com os filisteus”. Sansão estava escravizado, mas tornou-se livre pela morte. Do mesmo modo, “o homem está escravizado a tudo aquilo que ele não pode abandonar, a menos que abandone a si mesmo”. E o modo estabelecido por Deus para este abandono é pela cruz de Cristo. “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”. (Gl 6:14) Observem irmãos; não somente “o mundo está crucificado para mim”, mas também “e eu para o mundo”, e isto pela cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Da mesma forma, “a vida oferece apenas duas alternativas: crucificação com Cristo, ou auto-destruição sem Ele”. “Morra eu com os filisteus” foi a decisão definitiva de Sansão para sua liberdade espiritual. “Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna”. (Jo12:25) A morte precede a vida. “ Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer”. (1Co 15:36) O novo nascimento, ou regeneração, é a vida vinda da morte com Cristo, após perdermos a nossa juntamente com Ele pela Sua morte na cruz. “Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”. (Gl 2:19-20) Um cristão anônimo disse: “Seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é vitória”. Graças a Deus o Justo sobre a cruz é o único ponto de contato entre o pecador e o poder salvador de Deus”. “Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal”. (2 Co 4:10) “Fiel é a palavra: se já morremos com ele (com Cristo), também viveremos com ele”. (2 Tm 2:11) “ Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória”. (Colossenses 3:1-4) Amém !

(Levi Cândido)



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> IMPORTA-VOS RENASCER

O andar dos crentes

Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios,
Remindo o tempo; porquanto os dias são maus.” (Efésios 5:15-16)

O texto referido acima alude sobre duas maneiras de andar: “O andar como néscios”¹ e “o andar prudente como sábios”.
A característica fundamental do néscio gira em torno do que é essencialmente pecaminoso, conforme Tito 3:3. “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.”
Porém, a expressão “Pois nós também, outrora, éramos néscios”, nos remete à realidade espiritual da nossa libertação por Deus Pai do domínio do pecado e do império das trevas no qual éramos cativos. “e que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado; em quem temos a redenção, a saber, a remissão dos pecados;” (Colossenses 1:13-14). Agora, nessa esfera celestial do reino do Filho de Deus é onde devemos andar rumo à perfeição, o que Paulo denominou aos Colossenses como “prudentemente como sábios”, isto é, tendo em vista a soberana vocação de Deus em Cristo. Escrevendo aos Filipenses ele mostra o alvo de toda essa jornada dos crentes que se inicia em Cristo e converge-se para Cristo. “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3:12-14). O significado essencial da expressão “pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”, que Paulo mencionou, pode ser traduzida como “ser conformado à imagem do Filho de Deus”. Quanto a isso foi que o mesmo apóstolo declarou aos irmãos da Galácia dizendo: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós;” (Gálatas 4:19). Podemos parafrasear este verso da seguinte forma: “meus filhinhos - renascidos por Deus, portando filhos de Deus -, novamente estou sofrendo dores de parto por vossa causa, a fim de que Cristo ocupe todo o vosso ser”. Esse era o foco do apóstolo Paulo, e deve ser igualmente, de todo regenerado. Assim como o povo hebreu, libertos do Egito deveria entrar em Canaã e tomar posse de suas riquezas (tipo de Cristo, as riquezas de sua graça e o descanso espiritual – infelizmente não puderam entrar por causa da incredulidade, conforme Hebreus cap.3), o cristão sendo liberto do mundo deve ter esse objetivo supremo: Cristo e o Seu reino eterno. Notem, porém, irmãos, o apóstolo não estava mencionando sobre obter a salvação – porque esta é por graça de Deus em Cristo: pela sua vida, crucificação, morte, sepultamento e ressurreição -, mas por obter o prêmio da salvação, e isso implica em cooperação do crente; diligência por parte do cristão, autonegação, esvaziamento, etc., enfim, o que nosso Senhor declarou: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.” (Lucas 9:23). Negar-se a si mesmo, tomar a cruz diariamente e seguir a Jesus é o “andar prudentemente como sábios”. Assim como os irmãos da Galácia deveriam, como Paulo, “levar o morrer de Jesus sempre no corpo e viver pela fé do Filho de Deus” (Gálatas 2:19-20), o Senhor não brilhará sobre nós, exceto quando tomamos Sua Palavra como nossa luz e vivermos pela fé. A Escritura Sagrada é a lâmpada para os pés dos filhos de Deus – o mapa divino que conduz ao céu -, bem como a luz para os seus caminhos. “A não ser que a Palavra de Deus ilumina o caminho, toda a vida dos homens estará envolta em trevas e nevoeiro, de forma que eles inevitavelmente irão perder-se”². O Espirito Santo guia o Seu povo de acordo com a Escritura e nunca de maneira contrária a ela. O Senhor ao nos dar a Escritura, como Sua revelação, não tem a intenção de nos dar todas as informações que pudéssemos desejar nem de resolver todas as questões com as quais a alma humana vive perplexa, mas a de transmitir o suficiente para ser um guia seguro para o porto do descanso eterno. Vejamos algumas indicações bíblicas que nos revelam o caminho em relação a maneira correta de andar dos crentes em Cristo. “Portanto, assim como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim também nele andai, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças.” (Colossenses 2:6-7). Como fomos libertados do império das trevas e transportados para o reino de Cristo, é a partir dEle próprio e com Ele que inicia-se a jornada de fé, arraigados nele, fundados nele e construidos sobre Ele, a Pedra angular. Alguém já ponderou muito bem dizendo: “Assim como Cristo é a raiz pela qual o santo cresce, Ele é a regra pela qual o santo anda”. Agora somos chamados a viver uma vida de tal modo exemplar que o mundo não possa negar que somos filhos de Deus. Isto não quer dizer impecabilidade, inerrância ou perfeccionismo do crente, pois enquanto os santos não forem transformados deste corpo corruptivel, estarão sujeitos à falibilidade, por isso mesmo há a necessidade do Advogado Celestial para interceder por eles. (ver 1ªJoão 2:1). Essa vocação a que fomos chamados implica a andarmos coerentemente como “em vida nova” (Romanos 6:4), “em fé” (2 Corintios 5:7), “em espiritualidade” (Gálatas 5:16), “em amor” (Efésios 5:2), “em cautela” (Efésios 5:15), “em iluminação” (1ª João 1:7), e tendo em tudo isso o principal objetivo: “em semelhança a Cristo” (1ª João 2:6). Somente andando “na verdade” (cf. 3ªJoão v.4), em sujeição a Deus Pai, é que manifestaremos “o bom perfume de Cristo” (cf. 2ª Corintios 2:14-15), perante os irmãos e ao mundo, e só assim teremos cumprido a determinação acima: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus.” (Efésios 5:15-16).

"Senhor Bendito, Deus e Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Tu tens misericordiosamente nos chamados a andar de modo digno da vocação celestial. Precisamos da suficiência que vem de Ti. Tu já nos tem dado provisões suficientes para andarmos de acordo com esse chamado. Dá-nos agora graça para respondermos positivamente. Desejamos ser conquistados pela Tua graça irresistível e andarmos sempre na orientação do Senhor estabelecida na Tua palavra. Conduza os nossos corações ao Teu amor e à constância de Cristo. Sê generoso para conosco para que vivamos e observemos a  Tua palavra. A nossa alma está apegada ao pó: vivifica-nos segundo a tua palavra. Faze-nos atinar com o caminho dos teus preceitos; e meditaremos nas tuas maravilhas. Firma os nossos passos na tua palavra; e não nos domine iniquidade alguma. Criaste-nos para Ti e nossos corações não estarão sossegados enquanto não encontrar em Ti descanso. Ensina-nos, Senhor, o teu caminho, e andaremos na tua verdade; dispõe-nos o coração para só temer o teu nome. Contempla o rosto do Teu Ungido, oramos no nome Dele. Amem!"

(Levi Cândido)
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Notas:
¹Néscio – sinônimos: Sem instrução, sem discernimento, sem sentido, sem coerência, sem competência, ignorante, estúpido,  incapaz, inepto, etc...
²João Calvino

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Somos Salvos pela Graça...Mas o que é Graça?

Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; e fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas, e me inclinei para dar-lhes de comer.” (Os 11:4)

A graça divina é pedra de tropeço àqueles que se consideram dignos de aprovação diante de Deus por seus próprios méritos, mas é preciosidade para os indignos, para os combalidos, para os desgraçados, para os maltrapilhos da vida. “A graça é uma provisão para homens que se acham tão decaídos que não podem erguer o machado da justiça, tão corruptos que não podem mudar a sua própria natureza, tão contrário a Deus que não podem voltar-se para Ele, tão cegos que não podem vê-lo, tão surdos que não podem ouvi-lo, tão mortos que Ele mesmo precisa abrir os seus túmulos e levantá-los para a ressurreição.”1 A graça é uma ofensa ao mérito. Ela é a manifestação da suficiência de Deus para a nossa completa deficiência. “Deus amou-nos quando não havia nada de bom para ser visto em nós, e nada de bom para ser dito por nós.”2 “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5:8) A graça é o amor em ação; é o amor tomando a iniciativa. “Quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.” Deus agindo favoravelmente através de Cristo Jesus para nossa completa salvação; passada, presente e futura, é declaração majestosa do evangelho da graça plena. As Escrituras Sagradas é categórica neste sentido. “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),” (Ef 2:4-5) “Mas Deus”. Esta expressão contém em si mesma a definição da graça. Não é Adão em busca de Deus, Mas Deus em busca de Adão: “E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?” (Gn 3:9) “A diferença entre o cristianismo e todos os outros sistemas religiosos consiste principalmente nisto: Em todas as religiões vê-se o homem procurando a Deus, enquanto no cristianismo temos Deus procurando o homem.”3 Não haveria possibilidade de alguém buscar a Deus se antes não fosse buscado por Ele. Não haveria possibilidade de alguém amar a Deus, se antes não fosse amado por Ele. Deus é a causa primária de nosso amor e interesse Nele. “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro.” (1 Jo 4:19) Se houvesse a possibilidade de alguém buscar a Deus para ser salvo, a morte de Cristo Jesus seria desnecessária. “Nenhum pecador jamais foi salvo por ter dado o coração a Jesus. Não somos salvos por termos dado, mas sim pelo que Deus deu.”4 O evangelho das boas novas anuncia: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3;16) A ênfase neste verso está no amor de Deus e na sua dádiva com o determinado objetivo de buscar e salvar o perdido. Não é a ação por parte do homem em crer que deve ser louvada, mas o amor imensurável por parte de Deus abrindo a possibilidade da salvação do perdido pecador. “Como quando um príncipe estende a mão a um mendigo: não se elogia a nulidade do mendigo, mas a misericórdia e a bondade do príncipe.”5 Mas como era impossível achegar-nos a Deus pelas obras de justiça ou por qualquer outro meio, Deus enviou o Seu Filho unigênito, movido por seu inefável amor e misericordiosa graça a fim de que por Ele tivéssemos acesso à Sua presença. “Nada que não seja gratuito é seguro para os pecadores...A não ser que sejamos salvos somente pela graça, não podemos absolutamente ser salvos.”6 “Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, Que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.” (Tt 3:4-7) C.S.Lewis pesou a sua pena sem pena quando escreveu: “Agnósticos amáveis falarão alegremente de como o homem procura a Deus. Para mim, eles podem também falar sobre como o rato procura o gato...Deus encostou-me na parede.” Mas graça é assim mesmo; é Deus agindo favoravelmente para com aqueles onde há absoluto demérito. Estou na fila da graça. A Sua palavra sustenta que fui aceito incondicionalmente por Deus em Cristo Jesus, dependendo tão somente de Seus atributos, Seus méritos e Sua obra redentora e eficaz em meu favor, assegurando-me plena e poderosa salvação; passada, presente e futura. “Não sou perfeito em entender o que Deus quis, o que Deus planejou; só sei que à sua direita está alguém que é meu Salvador.”7 “Ora, o essencial das cousas que temos dito, é que possuímos tal sumo sacerdote, que assentou-se à destra do trono da Majestade nos céus. Ele que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas,” (Hb 8:1; 1:3) A parábola do filho pródigo em Lucas 15 ilustra com precisão o caráter gracioso do Aba. Podemos dizer que o que está em destaque neste episódio e merece solene consideração de nossa parte, não é a fuga do filho mais novo em busca dos prazeres da vida, tampouco o sentimento de ciumaria do filho mais velho com seu legalismo tacanho, mas sim, o caráter gracioso do pai pródigo de amor para com o seu maltrapilho. “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.” (v.20) Meus irmãos e irmãs, percebam isto: O filho mais novo saiu de casa, desperdiçou todo seu dinheiro na futilidade da vida, porém, quando seu dinheiro esvaiu-se, os “amigos da conveniência” o abandonaram. “Amigo é alguém que se achega quando todo mundo se afasta.”8 Agora persuadido pela fome chegou-se à resolução: “...Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti..;” (v.17-18) Notem; não foi o seu amor ao pai e/ou à sua família que o motivou a esta resolução; mas o seu estômago vazio. Nas palavras de Brennan Manning, “O estômago do maltrapilho não estava doendo de remorso porque havia partido o coração do pai. Ele cambaleou para casa simplesmente para sobreviver. Sua permanência numa terra distante o havia deixado falido. Os dias de vinho e rosas murcharam. Sua declaração de independência havia ceifado uma colheita inesperada: não liberdade, alegria e uma vida nova, mas cativeiro, tristeza e um embate com a morte. Os amigos-da-onça haviam transferido suas lealdades quando o seu cofrinho se esvaziou. Desencantado com a vida, o gastador traçou o caminho de volta para casa, não ardendo de desejo de ver seu pai, mas de apenas permanecer vivo.” Porém o que causa grande admiração neste fato, foi a atitude amorosa de seu pai. Na narrativa de Jesus está escrito: “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.” (v.20) O pai não deu uma lição de moral ao filho:”Porque você fez isso?”, ou; “Nunca mais faça isto!”, etc. Não! A atitude do pai foi o acolhimento amoroso e incondicional para com seu filho. Porque “O amor busca somente uma coisa: o bem eterno do ser amado.”2 “De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei, por isso com benignidade te atraí.” (Jr 31:3) Esta profecia teve seu cumprimento graciosamente através de Cristo Jesus crucificado. Fomos colocados nele como ato da graça de Deus conforme o relato João 12:32. “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” Atraídos em Cristo crucificado, fomos participantes da sua morte a fim de sermos regenerados pela sua ressurreição. A palavra de Deus nos revela: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,” (II Tm 2:11; Rm 6:6; I Pe 1:3) Graça! Soberana graça!


“ Phillip Yancey foi preciso em sua consideração: “Graça, diz ele, significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais. E graça significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar menos. A graça significa que Deus já nos ama tanto quanto é possível um Deus infinito nos amar.” Outro fato que nos revela este amor indizível de Deus encontra-se na narrativa do apóstolo João capítulo 8, relacionado à mulher que fora apanhada em flagrante adultério. Os seus acusadores – os religiosos legalistas, diga-se de passagem -, a levou até Jesus, procurando algo para terem de que o acusar. Diante dos acusadores com suas acusações de um lado, e da pobre réu do outro, foi manifestada a maravilhosa graça. “...Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire pedra.” (v.7) Jesus não estava apoiando aquela mulher em suas práticas pecaminosas (v.11), mas demonstrando a sua compaixão e graça à indigna pecadora. “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;” (Rm 5:20) A graça acolhe os indignos não para deixá-los como estão; mas para libertá-los de sua deplorável condição. “A graça não encontra homens aptos para a salvação, mas torna-os apto para recebê-la.”9 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2:8-10)


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1. G.S.BISHOP ; 2. Alguém ; 3. Thomas Arnold ; 4. A.W.Pink ; 5. Lutero ; 6. Charles Hodge ; 7. Dorothy Greenwell ;
8. Anônimo ; 9. Agostinho

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