sexta-feira, 2 de junho de 2017

SALMO 1e 2 sobre a graça incomum - Angus Stewart



Nas quatro últimas edições do News, consideramos cinco Salmos (5, 11, 69, 73 e 92) que se opõem à falsa doutrina da graça comum. Mas os Salmos têm muito mais a dizer em defesa da graça soberana, particular e incomum de Deus. Dada a importância desse assunto e o interesse e apoio considerável dos nossos leitores – alguns inclusive mencionando Salmos específicos que desejariam que fossem incluídos – proponho lidar com mais Salmos, começando com o primeiro e o segundo.

A primeira palavra do Salmo 1, tanto em hebraico como em português, é “bem-aventurado”, uma palavra-chave no debate sobre graça comum. Um homem “bem-aventurado” (Sl 1.1) é alguém bendito e tornado feliz pelo fato de Deus o ter trazido à comunhão viva com ele mesmo. Que Deus nos abençoa significa que ele tem uma atitude favorável de graça e de misericórdia para conosco, que ele interna e graciosamente restringe o pecado em nós e que ele nos capacita a fazer boas obras que são agradáveis aos seus olhos por meio de Jesus Cristo. O caminho da bem-aventurança e da felicidade para nós como povo de Deus é aquele da prática da antítese, a separação espiritual dos ímpios – nenhum “andar”, “deter-se”, “assentar” em comunhão com eles (1). O versículo 1 é contrário à noção de muitos defensores da graça comum, os quais afirmam que os crentes devem ser amigos dos incrédulos e deveriam cooperar com os “não cristãos de boa vontade” na construção do reino de Deus sobre a Terra. Embora o versículo 1 declare, negativamente, o que o homem bem-aventurado não faz, o versículo 2 apresenta, positivamente, seu deleite e meditação na Palavra de Deus. Ao evitar o ímpio (1) e banquetear-se com as Sagradas Escrituras (2), o santo fiel é comparado a uma árvore bem regada e frutífera (3).

A segunda metade do primeiro Salmo volta-se para os ímpios (4-6), começando com a declaração simples e devastadora: “Não são assim os ímpios” (4). Contrário ao povo de Deus (1-2), os não convertidos reúnem-se em seu pecado e desprezo pela Palavra de Deus. Enquanto o homem piedoso é “bem-aventurado” (1), “não são assim os ímpios” (4). A atitude de Deus para com eles não é de amor e favor, mas de ira. Jeová não opera graciosamente neles para refrear o pecado e tornar suas obras parcialmente justas aos seus olhos. Eles não produzem nenhum “fruto” bom e não “prosperam” espiritualmente (3). Não existe nenhuma graça comum aqui!

O Salmo 1.6 observa que “o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá”. Obviamente, o Deus onisciente “conhece” os caminhos dos crentes e dos incrédulos, se “conhece” aqui simplesmente significa “estar intelectualmente ciente”. Esse texto está dizendo, portanto, que Jeová “conhece [com o conhecimento íntimo de amor]” o “caminho” (i.e., estilo de vida, comportamento) dos seus santos. O paralelismo hebraico do Salmo 1.6 nos ensina que Deus não “conhece” (i.e., ama) o “caminho” (i.e., estilo de vida, comportamento) dos ímpios; ele odeia o “caminho” deles porque os réprobos são totalmente depravados, assim como todas as suas obras (Pv 6.16-19; Rm 3.10-18). Dessa forma, não somente os ímpios serão condenados no grande dia do juízo (Sl 1.5) e lançados como a palha perante o vento (4), mas Deus detesta tanto o comportamento e estilo de vida deles que até mesmo “o caminho dos ímpios perecerá” (6)!

O Salmo 2 fornece uma excelente refutação da graça comum e do que ela é supostamente capaz de fazer. Os “pagãos” (KJV), os “povos”, os “reis da terra” e os “governos” (1-2) são os judeus, os gentios e seus líderes, Herodes e Pôncio Pilatos, de acordo com Atos 4.25-28.

De acordo com a teoria da graça comum, o império romano e as pessoas com domínio terreno, supremacia militar, prosperidade material, estradas excelentes, jurisprudência desenvolvida e alto nível de civilização foram grandemente abençoadas por Deus. Enquanto os romanos pagãos tinham a graça comum mais politicamente, os judeus incrédulos tinham supostamente a graça comum mais religiosamente (por meio de sua possessão externa da lei e da descendência física de Abraão, etc.).

Mas o que os romanos e judeus ímpios fizeram com todo esse suposto amor de Deus por eles, para eles, sobre eles e neles? O Salmo 2 diz que eles atacaram Jeová e o “seu ungido” (2) ou Messias (do hebraico) ou Cristo (do grego) e pregaram o Filho encarnado de Deus na cruz! Esses supostos promotores da “lei natural” (os romanos) e da lei do Antigo Testamento (os judeus) rejeitaram a lei de Deus e romperam suas “ataduras” e “cordas” (3). Quantas boas obras produzidas pela graça comum!

Será que esses judeus e gentios ímpios frustraram o propósito divino de salvar o seu povo e exaltar o seu Filho? Não! “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião” (6). Existe algum amor divino por esses incrédulos que receberam tantas coisas boas na providência (não graça) de Deus? Não! O Senhor ri e zomba deles (4). Ele não abençoa ou fala bem deles ou a eles; ele lhes fala “em sua ira” (5). De forma alguma ele está satisfeito com eles ou com suas obras; ele os turba “no seu furor” (5).

A crucificação de Cristo foi seguida por sua ressurreição (7; Atos 13.33) e ascensão à mão direita de Deus (Sl 2.6) e governo sobre todas as nações (8-9). E o que dizer do governo providencial de Cristo sobre os ímpios réprobos? É esse parcialmente um governo de amor para eles e parcialmente um governo de ira santa contra eles? Não, é inteiramente desse último tipo: “Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro” (9). Em termos teológicos, os eleitos estão debaixo do reino de graça de Cristo; os réprobos estão debaixo do seu reino de poder (não graça).

O chamado do evangelho está presente no Salmo 2: “confiem” em Cristo (12), “sede prudentes” e “deixai-vos instruir” (10). “Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor” (11). “Beijai o Filho” — um ato de homenagem e submissão — para que não “pereçais” sob o seu furor e “ira”, algo que pode acontecer “em breve” (12).

O Salmo 2 terminar da forma que o Salmo 1 começa, com uma afirmação da bem-aventurança do povo eleito de Deus: “Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam” (Sl 2.12). Aqueles que não creem não são bem-aventurados, mas malditos (Gl 3.6-14; Dt 27.11-28.68).


Fonte: http://www.cprf.co.uk/crnews/crnmay2010.htm


Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – abril/2011

O Dever do Sexo no Casamento (por Angus Stewart)



Sexo fora do casamento é pecado; todos os cristãos sabem isso, e os incrédulos também. Não ter sexo no casamento (sob as circunstâncias ordinárias) também é pecado; talvez nem todos estejam cientes disso. De acordo com I Coríntios 7:3-5, sexo no casamento é uma dívida. Negligenciar ou recusar fazer sexo com o seu cônjuge é roubo, uma quebra do oitavo mandamento: "Não furtarás."

A Bíblia tem coisas importantes para dizer sobre solteirismo, casamento e sexo. Dessa forma, a igreja deve ensinar esses assuntos, bem como as verdades da Santa Trindade, o fim dos tempos e a graça irresistível. A igreja ensina esses assuntos em sermões, salas de catecismo, aulas para noivos e (como agora) mediante escritos. Pais sábios também falam com seus filhos sobre essas questões, como fez Salomão com seu filho em Provérbios (e.g., Pv. 2:16-19; 5:3-23; 6:24-35; 7:6-27; 9:13-18).

Sem dúvida, a maneira, bem como o conteúdo, do ensino cristão sobre casamento e sexo é bem diferente daquela do mundo. Não objetivamos instigar ou excitar os santos, nem somos pudicos, simplesmente ignorando o assunto. Em vez disso, proclamamos o ensino bíblico sobre sexualidade com pureza e autoridade.

Jesus Cristo é Senhor, e isso significa que Ele é Senhor do casamento e do lar do casal também. Ele tem coisas a dizer aqui. Assim, nosso objetivo é a glória de Deus em Jesus Cristo e a edificação dos santos. Dentro dessa estrutura e com esse espírito, consideremos o dever do sexo no casamento.

I Coríntios 7 fala de marido e esposa dando a "devida benevolência" um ao outro. "O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido." "Devida benevolência" aqui não significa que marido e esposa devem mostrar um ao outro apenas bondade em geral. Considere o contexto. Um propósito do casamento é "evitar a fornicação" (2). No casamento, seu cônjuge tem autoridade sobre o seu corpo, especialmente no leito matrimonial (4). A "incontinência" no versículo 5 refere-se a falta de auto-controle sexual. Assim, "devida benevolência" em I Coríntios 7:3 refere-se especificamente à bondade devida ao cônjuge na relação sexual.

Essa "benevolência" sexual é "devida" ao seu cônjuge. É uma dívida, algo que você deve ao seu marido ou esposa. Não é meramente um favor que você faz caso seu cônjuge tenha sido bom. Obviamente alguns, por causa da idade avançada ou debilidade, etc., são incapazes de cumprir essa dívida, mas cônjuges cristãos normais devem pagar esse débito. Você está pagando esse débito ao seu marido ou esposa?

Pessoas casadas são donos das roupas e comidas que compram, e também da relação sexual com o seu cônjuge: "A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher" (4). Seu cônjuge tem autoridade sobre o seu corpo sexualmente falando; não você.

Alguns podem objetar que eles não se lembram de jurar entregar a autoridade dos seus corpos nos votos de casamento. Provavelmente isso não foi mencionado em tantas palavras, mas a natureza do casamento como uma união de "uma só carne" implica que seu cônjuge tem autoridade sobre o seu corpo sexualmente, e não você. Esse é um pensamento cristão sóbrio. Sem dúvida, isso reflete também o grande casamento que nossos casamentos devem refletir. A igreja, a noiva de Cristo, é dona do seu próprio corpo? Não, a noiva de Cristo está sob a posse e autoridade de Cristo, seu esposo.

Estamos agora numa posição mais adequada para analisar o pecado de um casamento sem sexo (assumindo que o sexo é fisicamente possível). É roubo não entregar o que é devido. É roubar o seu próximo mais chegado, a saber, o seu próprio cônjuge. É defraudar ele ou ela (5). Isso introduz a idéia de engano e fraude. O casamento, por definição, inclui dar-se ao seu cônjuge. Ao recusar se entregar sexualmente, como prometeu, você comete traição. Isso está fundamentado no egoísmo, o desejo de fazer o que quiser com o seu corpo e não o que o seu cônjuge quer. Esse egoísmo brota da incredulidade, a falta de fé na união vital e espiritual entre Cristo e a Sua igreja que o seu casamento e relação sexual deveriam retratar.

O pecado tem conseqüências. Deus julgará e castigará você por ele. Seu cônjuge será ferido, seriamente ferido. Recusar seus desejos sexuais é algo cruel. Ignorar ou ser indiferente para com ele ou ela é impiedade. Cristo não trata assim a Sua esposa! Seu cônjuge se sentirá insatisfeito, trapaceado e provavelmente se tornará (pecaminosamente) amargo e ressentido. Assim, seu casamento sofrerá. A intimidade física de todos os tipos se secará e você perderá a intimidade emocional e espiritual também.

Pecados maritais impendem as suas orações (I Pedro 3:7). As orações nas devoções em família se tornam difíceis; as orações ficam sem resposta. A leitura da Escritura também se torna um dever árduo. Eventualmente isso pode levar a devoções em família infrequentes ou à completa negligência.

Nenhuma relação sexual no casamento também torna o seu cônjuge mais vulnerável ao pecado de adultério Lembre-se: um dos propósitos do casamento é evitar a fornicação (2; cf. Pv. 5:18-20). Satanás tem um interesse no seu leito matrimonial. Ele anda em derredor, "buscando a quem possa tragar" (I Pedro 5:8). Não vos defraudeis!

I Coríntios 7:3-5 ensina parte do chamado de maridos e esposas. Eles não devem permitir que se tornem sexualmente indiferentes para com seus cônjuges. Não há lugar para escusas mentirosas: "Estou com dor de cabeça". Isso não é uma licença para explorar ou abusar do seu cônjuge. Nem é um incentivo à tirania masculina. O marido é o cabeça que deve "alimentar" e "sustentar" a sua esposa (Ef. 5:29). I Coríntios 7:3-4 enfatiza a igualdade entre marido e mulher: o marido deve dar a "devida benevolência" à sua esposa, e "igualmente" a esposa ao seu marido (3), e o marido tem autoridade sobre o corpo da sua esposa,"também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher" (4). Assim, no sexo – como em todas as coisas, exceto no pecado—o marido e a esposa cristãos devem procurar agradar um ao outro, e não a si mesmos, pois o amor "não busca os seus interesses" (I Co. 13:5).

QUAL ENTÃO É O PAPEL DO SEXO NO CASAMENTO?


Primeiro, sexo não é a única coisa no casamento. Êxodo 21:10, uma lei regulando (embora não requerendo ou aceitando) a poligamia, declara: "Se lhe tomar outra, não diminuirá o mantimento desta, nem o seu vestido, nem a sua obrigação marital." A "obrigação marital" (Ex. 21:10) é a "devida benevolência" (I Co. 7:3), ou relação sexual. Providenciar comida e roupa para a esposa também é mencionado. (Incidentalmente, por que jovens cristãos estão namorando ou noivando, se não estão numa posição de sustentar uma esposa, mesmo num futuro previsto?) Ainda mais fundamental, os maridos devem amar suas esposas e as esposas devem se submeter aos seus maridos (Ef. 5:22-33). Além do mais, os maridos devem governar suas esposas em amor e elas devem ser auxiliadoras de seus maridos (Ef. 5:22-33; Gn. 2:20s.). Isso envolve 101 deveres de um para com o outro.

Segundo, o sexo não é a principal coisa no casamento. A coisa principal é o relacionamento pactual no Senhor (Ml. 2:14). Aqueles que fazem do sexo a coisa principal no casamento ficarão dolorosamente desapontados.

Terceiro, sexo não é a base para o casamento. A verdade da Palavra de Deus é o fundamento do casamento cristão. A amizade pactual de um pelo outro é baseada sobre essa unidade na doutrina da Palavra de Deus em Cristo.

Onde então o sexo entra no casamento? Primeiro, deve haver o amor de Deus em seu coração por seu cônjuge. Fluindo desse amor, e como uma expressão desse amor, está a bênção da relação sexual. Assim, embora o sexo no casamento seja um chamado e um dever, ele é mais que um dever. É uma coisa alegre e prazerosa, deliberada e natural, uma expressão de amor mútuo e um retrato da união de Cristo com a Sua noiva, a igreja.

HÁ UMA EXCEÇÃO AO DEVER DO SEXO NO CASAMENTO (ALÉM DAQUELE DA IMPOSSIBILIDADE FÍSICA) SE TRÊS CONDIÇÕES FOREM SATISFEITAS.


Primeiro, deve ser "por consentimento mútuo" (I Co. 7:5)—não uma decisão unilateral do marido ou da esposa, mas de ambos.

Segundo, deve ser "por algum tempo" (5)—não para o resto de suas vidas, ou por anos, mas por um período específico. Mais tarde eles devem se "ajuntar outra vez" sexualmente (5).

Terceiro, a abstinência sexual deve ser "para vos aplicardes ao jejum e à oração"(5)—não porque eles simplesmente estavam com vontade. Deus colocou certo peso em seus corações, de forma que os prazeres de comer e ter sexo são postos de lado por um tempo, para que possam se focar melhor em buscar a Deus.
Todas as três condições devem ser satisfeitas—consentimento mútuo, curta duração e propósito religioso (para oração e jejum)—para um período de abstinência sexual. Onde todas as três condições não são satisfeitas, a "devida benevolência" da relação sexual permanece.

I CORÍNTIOS 7:3-5 CONTÉM VÁRIAS LIÇÕES VITAIS.


Primeiro, a relação sexual é a regra no casamento (e a exceção é rara e curta).

Segundo, Maria não foi uma virgem perpétua. O Concílio de Trento de Roma lançou um anátema sobre todos aqueles que negassem que Maria jamais teve relação sexual com o seu marido, José, após o nascimento de Cristo, mas Deus requer que as esposas deem a "devida benevolência" aos seus maridos (3-5).

Terceiro, a passagem assume que um casal cristão pode escolher jejuar e orar juntos. Você alguma vez já desistiu de comida e sexo, para buscar a face de Deus com maior fervor?

Quarto, não há nada vergonhoso ou impuro numa relação sexual. Aparentemente, alguns em Corinto enalteciam a virgindade até o céu e/ou exigiam o celibato no casamento, visto que a relação sexual era vista como de certo modo questionável em santidade ou pureza. "Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula" (Hb. 13:4). Essa visão deturpada sobre casamento e sexo não é encontrada apenas no Romanismo. John Wesley ensinou a superioridade da virgindade ao casamento, e em geral aconselhava contra o casamento. Ele foi irremediavelmente influenciado por sua leitura dos pais da igreja primitiva e de autores católico-romanos (que lançam dúvidas sobre a bondade do casamento e do sexo). Mesmo quando Wesley se casou, ele mostrou um mau exemplo, pois, em geral, negligenciava sua esposa e o relacionamento deles era "distante e infeliz" (Stephen Tomkins, John Wesley, p. 167).

Quinto, I Coríntios 7 implica que marido e esposa falam sobre assuntos sexuais juntos, pois entram em "consentimento" para se abster por um tempo por razões religiosas (5). Em geral, os maridos e esposas cristãos devem procurar agradar um ao outro, e viver sob o senhorio de Cristo no casamento e no sexo.


Extraído de:
http://www.cprf.co.uk/languages/portuguese_dutyofsex.htm


Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto

Precisamos Novamente de Homens de Deus - A. W. Tozer



A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens, homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá coelhos com seu Espírito Santo.
A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto.
Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão qualquer ato religioso por simples costume; nem permitirão a si mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo por boa reputação.
Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projetos motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projetos.
Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda-feira pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentoso e demonstração de piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem chama esses profetas, não a voz de Jeová.
A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o povo os seguiu (às vezes em triunfo, porém mais freqüentemente com insultos e perseguição pública); e a recompensa de tais líderes foi a satisfação de estarem certos em um mundo errado.
Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la, sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos.
O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum interesse a proteger, alguma posição a assegurar; portanto, exigiu submissão de seus seguidores como garantia de sua própria segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger, nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna intercessão por eles.
Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os fracotes que não ousam falar o que precisa ser externado; precisa buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim que Ele age entre os homens.
E, quando vierem os libertadores... serão homens de Deus, homens de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo...


Fonte: Editora Fiel

Oração de um Profeta Menor - A. W. Tozer



Esta oração é pronunciada por um homem chamado a ser testemunha ante as nações, e foram estas as palavras que disse ao seu Senhor no dia em que foi ordenado. Depois de os anciãos e ministros terem orado e pousado sobre ele as suas mãos, retirou-se para estar a sós com o seu Salvador, no silêncio, mais além do que os seus irmãos bem intencionados o podiam levar. E disse:
Senhor, escutei a tua voz e tive medo. Chamaste-me a uma tarefa solene numa hora grave e perigosa. Em breve abalarás todas as nações, a terra e também o céu, para que fique só aquilo que é inabalável. Senhor, nosso Senhor, aprouve-Te honrar-me chamando-me a ser teu servo. Só aceita esta honra aquele que é chamado a ser teu servo, visto ter de ministrar junto àqueles que são obstinados de coração e duros de ouvido. Eles Te rejeitaram, a Ti, que és o Amo, e não posso esperar que me recebam a mim, que sou o servo.
Meu Deus, não vou perder tempo a deplorar a minha fraqueza ou a minha incapacidade para o trabalho. A responsabilidade é tua, não minha, pois disseste: “Conheci-te, ordenei te, santifiquei-te”, e também: “Irás a todos aqueles a quem Eu te enviar, e falarás tudo aquilo que Eu te ordenar”. Quem sou eu para argumentar contigo ou para pôr em dúvida a tua escolha soberana? A decisão não é minha, mas sim tua. Assim seja, Senhor; cumpra-se a tua vontade e não a minha.
Bem sei, Deus dos profetas e dos apóstolos, que, enquanto eu Te honrar, Tu me honrarás a mim. Ajuda-me, portanto, a fazer este voto solene de Te honrar em toda a minha vida e trabalho futuros, quer ganhando quer perdendo, na vida ou na morte, e a manter intacto esse voto enquanto eu viver.
É tempo, ó Deus, de agires, pois o inimigo entrou nos teus pastos e as ovelhas são dilaceradas e dispersas. Abundam também falsos pastores que negam o perigo e se riem das ameaças que rodeiam o teu rebanho. As ovelhas são enganadas por estes mercenários e seguem-nos com fidelidade, enquanto o lobo se acerca para matar e destruir. Imploro-Te que me dês olhos bem abertos para descobrir a presença do inimigo; que me dês compreensão para distinguir entre o falso e o verdadeiro amigo. Dá-me visão para ver e coragem para declarar fielmente o que vejo. Torna a minha voz tão parecida com a tua que até as ovelhas doentes a reconheçam e Te sigam.
Senhor Jesus, aproximo-me de Ti em busca de preparação espiritual. Pousa a tua mão sobre mim. Ungeme com o óleo do profeta do Novo Testamento. Impede que eu me transforme num religioso e perca assim a minha vocação profética. Salva-me da maldição que paira sombriamente sobre o sacerdócio moderno; a maldição da transigência, da imitação, do profissionalismo. Salva-me do erro de julgar uma igreja pelo número de seus membros, pela sua popularidade ou pelo total de suas ofertas anuais. Ajuda-me a lembrar-me de que eu sou profeta, não um animador, não um gerente religioso, mas um profeta. Que eu nunca me transforme num escravo das multidões. Cura a minha alma das ambições carnais e livra-me do prurido da publicidade. Salva-me da servidão das coisas materiais. Impede-me de gastar o tempo entretendo- me com as coisas da minha casa. Faze o teu terror pousar sobre mim, ó Deus, e impele-me para o lugar de oração onde eu possa lutar com os principados, e potestades, e príncipes das trevas deste mundo. Livra-me de comer demais e de dormir demais. Ensina- me a auto-disciplina para que eu possa ser um bom soldado de Jesus Cristo.
Aceito trabalho duro e pequenas compensações nesta vida. Não peço um cargo fácil. Procurarei ser cego aos pequenos processos de facilitar a vida. Se outros procuram o caminho mais plano, eu procurarei o caminho mais árduo, sem os julgar com demasiada severidade. Esperarei oposição e procurarei aceitá-la serenamente quando ela vier. Ou se, como por vezes sucede aos teus servos, o teu povo bondoso me obrigar a aceitar ofertas expressivas de gratidão, conserva-Te ao meu lado e salva-me da praga que a isso freqüentemente se segue; ensina-me a usar o que porventura receber de tal modo que não prejudique a minha alma nem diminua o meu poder espiritual. E se a tua providência permitir que me advenham honras da tua Igreja, que eu não esqueça naquela hora que sou indigno da mais ínfima das tuas misericórdias, e que, se os homens me conhecessem tão intimamente como eu me conheço a mim próprio, me retirariam tais honrarias para as darem a outros mais dignos delas.
E agora, Senhor do céu e da terra, consagro-Te o resto dos meus dias, sejam eles muitos ou poucos, consoante a tua vontade. Quer eu me erga perante os grandes quer ministre aos pobres e humildes, essa escolha não é minha, e eu não a influenciaria, mesmo que pudesse. Sou teu servo para cumprir a tua vontade. Ela é mais doce para mim do que a posição, ou as riquezas, ou a fama, e escolho a acima de tudo o mais na terra ou no céu.
Embora eu tenha sido escolhido por Ti e honrado por uma alta e santa vocação, que eu nunca esqueça que não passo de um homem de pó e cinza com todos os defeitos e paixões naturais que atormentam a humanidade. Rogo-Te, portanto, meu Senhor e Redentor, que me salves de mim próprio e de todo o mal que eu puder fazer a mim mesmo enquanto procuro ser uma bênção para os outros. Enche-me do teu poder pelo Espírito Santo, e eu caminharei na tua força e proclamarei a tua justiça - a tua tão somente. Anunciarei a mensagem do teu amor redentor enquanto tiver forças.
E, Senhor amado, quando eu for velho e estiver fatigado, demasiado cansado para prosseguir, prepara-me um lugar lá em cima e conta-me entre o número dos teus santos na glória eterna. Amém.


Fonte: Editora Fiel

Erótico versus Espiritual - A. W. Tozer



A época em que vivemos poderá ficar conhecida como a Idade do Erotismo. O amor sexual se tornou uma forma de culto. Entre os homens civilizados, Eros tem mais adoradores do que qualquer outro deus. Para milhões, o erótico tem substituído completamente o espiritual.
Os fatores
Não é difícil determinar como o mundo caiu nesse estado. Fatores contribuintes são as emissoras de rádio e os aparelhos de som, que podem disseminar uma música de amor por todo um país em poucos dias; o cinema e a televisão, que proporcionam a toda uma população a oportunidade de banquetear-se com mulheres sensuais e jovens soberbos unidos em abraços apaixonados (nas salas de visitas de lares “cristãos”, aos olhos de crianças inocentes!); menos horas de trabalho e a multiplicação de máquinas automáticas que resultam no aumento do lazer para todos.
Juntemos a tudo isso dezenas de campanhas de propaganda concebidas inteligentemente, que transformam o sexo em isca não muito bem disfarçada, a fim de atrair compradores para quase todos os produtos imagináveis; os escritores infames que consagraram suas vidas à obra de tornar conhecidas as levianas e falsas nulidades, utilizando personagens que têm carinha de anjo e moral de prostituta; novelistas sem consciência que alcançam fama duvidosa e enriquecem à custa da perniciosa ocupação de drenar do esgoto de sua alma podridões literárias que entretêm as massas. Tudo isso nos mostra como Eros conseguiu triunfar sobre o mundo civilizado.
Se esse deus não importunasse os crentes, não haveria razão para inquietar-me com o seu culto. Um dia, toda a sua fétida sujeira ruirá sobre si mesma, tornando-se um excelente combustível para o fogo do inferno, uma justa recompensa, fazendo-nos ter compaixão daqueles que forem engolidos na sua trágica ruína. Se as coisas fossem diferentes do que realmente são, as lágrimas e o silêncio seriam melhores do que as palavras. Mas o culto de Eros está afetando seriamente a igreja. A límpida religião de Cristo, que flui do coração de Deus como um rio cristalino, está sendo poluída pelas águas sujas que escorrem do altar da abominação que se vê em todos os outeiros e debaixo de todas as árvores, em todas as parte de nosso país.
Os crentes estão sendo influenciados
A influência desse espírito erótico está sendo percebida em quase todos os círculos evangélicos. Grande parte da música cantada em certos tipos de reuniões transpira mais romance do que a voz do Espírito Santo. Cânticos e músicas foram escritos para despertar a luxúria. Cristo é tratado com uma familiaridade que revela ignorância completa a respeito do seu caráter. O que predomina não é mais a reverente intimidade do santo que adora, e sim a impudica familiaridade do amante carnal.
A ficção religiosa tem utilizado o sexo para criar interesse em seus leitores, servindo-se da aparente desculpa de que, entrelaçando o romance erótico com a religião em uma ficção, o leitor habitual, que não gasta tempo com um livro puramente religioso, desejará ler a ficção e, assim, conhecerá o evangelho. Não levando em conta o fato de que os mais modernos romancistas religiosos são apenas amadores, incapazes de escrever pelo menos uma linha de literatura realmente boa, o conceito de romances espirituais está errado.
Os impulsos libidinosos e o doce e profundo estímulo do Espírito Santo são diametralmente opostos. A noção de que Eros pode servir como um auxilio ao Senhor da glória é ultrajante. Os filmes “cristãos” que procuram atrair o público com cenas amorosas em sua propaganda são completamente contrários à religião de Cristo. Somente os que se acham espiritualmente cegos podem ser enganados.
A moda da beleza física e de personalidades brilhantes nas produções religiosas é uma manifestação da influência do sentimento romântico na igreja. O balanço rítmico, o sorriso inalterável e a voz demasiadamente alegre enganam o religioso mundano. Ele aprendeu a sua técnica na televisão, mas não o suficiente para obter sucesso no campo profissional; por isso, ele traz sua produção ineficiente para o lugar santo, mascateando-a aos cristãos débeis e mal nutridos, que buscam algo para divertirem-se, enquanto fazem parte da maioria religiosa popular.
Tempo para falar
Se a minha linguagem parece severa, lembrem-se de que não está sendo dirigida a ninguém pessoalmente. Sinto grande compaixão pelo mundo dos homens perdidos e desejo que todos venham ao arrependimento. Pelos crentes cujas vigorosas mas errôneas lideranças têm desviado a igreja moderna do altar de Jeová para o altar do Erro, sinto amor e compaixão. Quero ser o último a injuriá-los e o primeiro a per- doá-los, lembrando-me dos meus pecados passados e da minha necessidade de misericórdia, bem como de minha própria fraqueza e inclinação natural para o pecado e o erro. A jumenta de Balaão foi usada por Deus para repreender um profeta. Concluímos disto que Deus não requer perfeição no instrumento que usa pa-ra admoestar e exortar seu povo.

Quando o rebanho de Deus está em perigo, o pastor não deve contemplar as estrelas e meditar sobre temas “inspirativos”. Está moralmente obrigado a pegar suas armas e a correr para defendê-lo. Quando as circunstâncias exigem, o amor tem de usar a espada, embora tenha o desejo de enfaixar o coração quebrantado e cuidar do ferido. Chegou o tempo de o profeta ser ouvido novamente. Durante as últimas décadas, a timidez disfarçada em humildade tem-se mantido no seu canto, enquanto a qualidade espiritual da cristandade evangélica tem se tornado pior a cada ano que passa. Por quanto tempo ainda, Senhor? Por quanto tempo?


Fonte: Editora Fiel

A Maldição do Homem Moderno - A. W. Tozer



Existe uma maldição antiga que permanece conosco até hoje — a disposição da sociedade humana de ser completamente absorvida por um mundo sem Deus.
Embora Jesus Cristo tenha vindo a este mundo, este é o pecado supremo dos incrédulos, o qual levou o homem a não sentir — nem sentirá — a presença dEle que permeia todas as coisas. O homem não pode ver a verdadeira Luz, tampouco pode ouvir a voz do Deus de amor e verdade.
Temos nos tornado uma sociedade “profana” — completamente envolvida em nada mais do que os aspectos físico e material desta vida terrena. Homens e mulheres se gloriam do fato de que são capazes de viver em casas luxuosas, vestir roupas de estilistas famosos e dirigir os melhores carros que o dinheiro pode comprar — coisas que as gerações anteriores nunca puderam ter.
Esta é a maldição que jaz sobre o homem moderno — ele é insensível, cego e surdo em sua prontidão de esquecer que existe um Deus. Aceitou a grande mentira e crença estranha de que o materialismo constitui a boa vida. Mas, querido amigo, você sabe que o seu grande pecado é este: a presença eterna de Deus, que alcança todas as coisas, está aqui, e você não pode senti-Lo de maneira alguma, nem O reconhece no menor grau? Você não está ciente de que existe uma grande e verdadeira Luz que resplandece intensamente e que você não pode vê-la? Você não tem ouvido, em sua consciência e mente, uma Voz amável sussurrando a respeito do valor e importância eterna de sua alma, mas, apesar disso, tem dito: “Não ouço nada?”
Muitos homens imprudentes e inclinados ao secularismo respondem: “Bem, estou disposto a agarrar minhas chances”. Que conversa tola de uma criatura frágil e mortal! Isto é tolice porque os homens não podem se dar ao luxo de agarrar as suas chances — quer sejam salvos e perdoados, quer sejam perdidos. Com certeza, esta é a grande maldição que jaz sobre a humanidade de nossos dias — os homens estão envolvidos de tal modo em seu mundo sem Deus, que recusam a Luz que agora brilha, a Voz que fala e a Presença que permeia e muda os corações.
Por isso, os homens buscam dinheiro, fama, lucro, fortuna, entretenimento permanente ou apego aos prazeres. Buscam qualquer coisa que lhes removam a seriedade do viver e que os impeça de sentir que há uma Presença, que é o caminho, a verdade e a vida.
Eu mesmo fui ignorante até aos 17 anos, quando ouvi, pela primeira vez, a pregação na rua e entrei numa igreja onde ouvi um homem citando uma passagem das Escrituras: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim... e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11. 28,29).
Eu era realmente pouco melhor do que um pagão, mas, de repente, fiquei muito perturbado, pois comecei a sentir e reconhecer a graciosa presença de Deus. Ouvi a voz dEle em meu coração falando indistintamente. Discerni que havia uma Luz resplandecendo em minhas trevas.
Novamente, andando pela rua, parei para ouvir um homem que pregava, em um cantinho, e dizia aos ouvintes: “Se vocês não sabem orar, vão para casa, ajoelhem-se e digam: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Isso foi exatamente o que eu fiz. E Deus prometeu perdoar e satisfazer qualquer pessoa que estiver com bastante fome espiritual e muito interessado, a ponto de clamar: “Senhor, salva-me!”
Bem, Ele está aqui agora. A Palavra, o Senhor Jesus Cristo, se tornou carne e habitou entre nós; e ainda está entre nós, disposto e capaz de salvar. A única coisa que alguém precisa fazer é clamar com um coração humilde e necessitado: “ó Cordeiro de Deus, eu venho a Ti; eu venho a Ti!”


Fonte: Editora Fiel

A Absoluta Importância do Motivo (A. W. Tozer)





A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo.
Como a água não pode subir mais alto do que o nível da sua fonte, assim a qualidade moral de um ato nunca pode ser mais elevada do que o motivo que o inspira. Por esta razão, nenhum ato procedente de um motivo mal pode ser bom, ainda que algum bem pareça resultar dele. Toda ação praticada por ira ou despeito, por exemplo, ver-se-á, afinal, que foi praticada em favor do inimigo e contra o reino de Deus.
Infelizmente, a atividade religiosa possui tal natureza, que muito desse tipo de atividade pode ser realizado por motivos maus, como a raiva, a inveja, a ambição, a vaidade e a avareza. Toda atividade desse tipo é essencialmente má e como tal será avaliada no Julgamento.
Nesta questão de motivos, como em muitas outras, os fariseus dão-nos exemplos claros. Eles continuam sendo o mais triste fracasso religioso do mundo, não por causa de erro doutrinário, nem porque eram pessoas de vida abertamente dissoluta. Todo o problema deles estava na qualidade dos seus motivos religiosos. Oravam, mas para serem ouvidos pelos homens, e, deste modo, o seu motivo arruinava as suas orações e as tornava inúteis e, realmente, más. Contribuíam para o serviço do templo, porém, às vezes, o faziam para escapar do seu dever para com os seus pais, e isto era um mal, um pecado. Os fariseus condenavam o pecado e se levantavam contra ele, quando o viam-nos outros, mas o faziam motivados por sua justiça própria e por sua dureza de coração. Isso caracterizava quase tudo o que faziam. Suas atividades eram cercadas por aparência de santidade; e essas mesmas atividades, se fossem realizadas por motivos puros, seriam boas e louváveis. Toda a fraqueza dos fariseus estava na qualidade dos seus motivos.
Isto não é uma coisa insignificante — é o que podemos concluir do fato de que aqueles religiosos formais e ortodoxos continuaram em sua cegueira, até que finalmente crucificaram o Senhor da glória, sem qualquer noção da gravidade do seu crime. 
Atos religiosos praticados por motivos vis são duplamente maus — maus em si mesmos e maus porque são praticados em nome de Deus. Isto equivale a pecar em nome dAquele Ser que é impecável, a mentir em nome dAquele que não pode mentir e a odiar em nome dAquele cuja natureza é amor.
Os crentes, especialmente os muito ativos, freqüentemente devem separar tempo para sondar a sua alma, a fim de certificarem-se dos seus motivos. Muito solo é cantado para exibição; muitos sermões são pregados para mostrar talento; muitas igrejas são fundadas como um insulto contra outra igreja. Mesmo a atividade missionária pode tornar-se competitiva, e a conquista de almas pode degenerar, tornando-se uma espécie de marketing eclesiástico, para satisfazer a carne. Não esqueçam: os fariseus eram grandes missionários, e rodeavam o mar e a terra para fazer um converso.
Um bom modo de evitar a armadilha da atividade religiosa vazia é comparecer diante de Deus, sempre que possível, com a nossa Bíblia aberta em 1 Coríntios 13. Esta passagem, embora seja considerada uma das mais belas da Bíblia, é também uma das mais severas dentre as que se acham nas Escrituras Sagradas. O apóstolo toma o serviço religioso mais elevado e o consigna à futilidade, se não for motivado pelo amor. Sem amor, profetas, mestres, oradores, filantropos e mártires são despedidos sem recompensas.
Resumindo, podemos dizer que, aos olhos de Deus, somos julgados não tanto pelo que fazemos e sim por nossos motivos para fazê-lo. Não “o quê” mas “por quê” será a pergunta importante que ouviremos, quando nós, crentes, comparecermos no tribunal, a fim de prestarmos contas dos atos praticados enquanto estávamos no corpo.


Fonte: Editora Fiel