domingo, 6 de novembro de 2016

Ele comigo está!

Eu seguirei guiando-as pouco a pouco, no passo do gado que me vai à frente... e no passo dos meninos. (Gn 33.14.)

Nós ainda não passamos por este caminho, mas o Senhor Jesus
já passou. É um caminho ainda não palmilhado por nós, mas Ele o conhece todo por experiência pessoal. Os trechos íngremes que nos tiram o fôlego, os trechos pedregosos que nos magoam os pés, e outros escaldantes que nos deixam tão cansados, os rios turbulentos que temos de atravessar — por tudo isso Jesus já passou antes de nós. Ele esteve "cansado da viagem". Não só algumas, mas todas as muitas águas passaram sobre ele; e não puderam apagar Seu amor. Ele é um guia perfeito, pelas coisas que padeceu. "Ele conhece a nossa estrutura, e lembra-se de que somos pó." Pense nisto, quando você for tentado a duvidar de que Ele o guia com bondade. Ele sabe de tudo, o tempo todo; e não vai fazer que você dê sequer um passo além do que os seus pés agüentam. Não se importe se acha que não será capaz de dar o próximo passo, pois, ou Ele lhe dará a força necessária para dá-lo, ou ordenará uma parada, e você não o terá que dar. — Frances Ridley Havergal

Que bonito este quadro do cuidado de Jacó para com o gado e as crianças. Não os deixaria cansarem-se demais por um dia sequer. Não iria conduzi-los segundo a rapidez dos passos de um homem forte como Esaú, mas só de acordo com o que eram capazes de suportar. Ele sabia exatamente a distância que agüentariam percorrer num dia; e foi só o que levou em conta ao programar as caminhadas. Ele havia percorrido os mesmos caminhos desertos, tempos atrás, e conhecia por experiência as suas asperezas, calor e extensão. Por isso disse: "Eu seguirei guiando-as pouco a pouco." Tudo são flores? E pastos verdes? Sabes que não. Nem sempre.
Mas a promessa diz fielmente Que nada te faltará. Por que temores? O Mestre falha? Eu sei que não. Não falha. Que tudo mude, tenho a promessa De que Ele comigo está.


Fonte: Mananciais no Deserto

Chegando-se a Cristo

E havia maior largura ... para cima, ... o templo tinha mais largura para cima. (Ez 41.7.)

Não devemos contentar-nos entre as brumas do vale, quando temos diante de nós o cimo do Tabor. O orvalho dos montes é refrescante, e é puro o ar das montanhas. Como é rica a visão dos que moram no alto, com as janelas dando para a Nova Jerusalém! Muitos santos contentam-se em viver como os mineiros nas minas de carvão, sem nunca ver o sol. Seu rosto está manchado de lágrimas, quando poderia estar ungido com óleo celeste. Estou convencido de que muitos crentes definham em masmorras, quando podiam andar pelos terraços do palácio e avistar a boa terra e o Líbano! Crente, levante-se da condição em que está. Lance de si a inércia, a letargia, a frieza — o que quer que esteja interferindo em seu amor por Cristo. Seja Ele a fonte, o centro e a circunferência de todo o seu prazer. Não se contente mais com as suas exíguas conquistas. Aspire por uma vida mais plena, aspire por uma vida mais alta, aspire por uma vida mais nobre. Vá para cima. Vá para mais perto de Deus! — Spurgeon.
 Cristo estava ali. A fonte de Vida. Ele estava ali. Ao alcance de todos, Para quem o quisesse. Cristo estava ali. Maria sentou-se a seus pés, a escutá-lO;
E João reclinou-se em Seu peito sagrado. Zaqueu recebeu-O contente, em seu lar. "Eis que estou convosco." Ele está conosco; Ele, sempre o mesmo, Sempre desejoso De nos receber. Cristo está conosco, Presente. Onde estás? Não são muitos de nós que estão alcançando uma vida mais elevada. Muitos se demoram nos caminhos planos, porque têm medo de escalar as montanhas. As ladeiras ásperas os desanimam; então ficam no vale sombrio, e não vêm a conhecer o mistério dos montes. Não sabem o que perdem em sua autocomplacência, a glória que os espera — se apenas tiverem coragem para fazer a escalada; a bênção que encontrariam, se apenas se erguessem até os caminhos de Deus. — J. R. M. Por que não andarmos mais perto de Cristo? Por que passar fome ante mesa tão farta? Por que estar no baixo, se os cumes são nossos? Cheguemo-nos pois!


Fonte: Mananciais no deserto

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Os benefícios das aflições do cristão (anônimo)


A vida frutífera necessita tanto da chuva como do sol. Já reparaste  que o sofrimento abranda os corações? E percebeste que na dor há um mundo de lições? Procura ouvir o que Deus te fala nas aflições. Nunca iremos encontrar um cristão sem problemas.
Enquanto vivermos aqui em nossa peregrinação, haverá lamentos, choros, convicção de pecados etc., porque não há nenhum cristão perfeito em si mesmo. Mas, todas as nossas fontes estão em Cristo. Só podemos louvar, adorar, ensinar,etc, porque quando estamos em Cristo e Ele em nós, o Pai vê o Seu próprio Filho em nós, e não a nós mesmos separados do Filho. Devemos nos chocar quando tudo estiver indo muito bem, porque, como disse nosso amado irmão Glênio, 'quanto pior melhor', porque a Bíblia diz: "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados", "no mundo terás aflições, mas tendes bom ânimo, Eu venci o mundo". Mas há um refúgio a todos os cristãos: JESUS, e nossa inclusão em sua morte e ressurreição. "Aquele que começou a boa obra em nós, há de completá-la até ao dia de CRISTO Jesus. Amém!

(Anônimo)

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Pessoas e Fatos Notáveis

                                                      Monumento Digno


João Geddie foi um grande missionário em as Novas Hébrias. Missionou longos anos em Aneitium.

Faleceu na Austrália em 14 de Dezembro de 1872. Em Aneitium... por trás do púlpito da igreja, cujo

pastorado ocupara por muito tempo, colocaram uma placa com esta inscrição: “À memória do Dr.

João Geddie, nascido na Escócia em 1815. Foi pastor da ilha do Príncipe Eduardo durante sete anos.

 Foi missionário enviado de Nova Escócia em Anelcuahat, Aneitium, durante vinte e quatro anos.

Trabalhou no meio de muitas provas em benefício do povo, ensinou muitos a ler, muitos a trabalhar, e

 outros a serem professores. Era querido pelos naturais, amado por seu colaborador, o Rev. João

Inglis, e honrado pelos missionários das Novas Hébrias e pelas igrejas. Quando desembarcou em

1848, não havia aqui nenhum cristão, quando se retirou em 1872, não havia nenhum pagão”.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

"CRISTO FORMADO EM NÓS"

 



Meus filhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” Gl 4:19. 

No que se concerne à obra da salvação, consideraremos três aspectos que as Escrituras nos mostram o que o Pai nos providenciou através do Seu Filho Amado Jesus Cristo. São eles: justificação, santificação e glorificação. Na justificação, vemos aquilo que Deus fez por nós pelo sacrifício de Seu Filho na cruz do Calvário. “Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” 2 Co 5:21. Neste sacrifício substitutivo, nós fomos libertos da condenação do pecado pela oferta do corpo de Cristo na cruz, conforme registrado em Gálatas 3:13. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”. 

A justificação é algo que aconteceu fora de nós, pois não havia nenhum mérito em nós para que fôssemos justificados. Pelo contrário, havia razões indiscutíveis para sermos condenados, não fosse pela misericordiosa graça de Deus. Por isso, as Escrituras declaram que recebemos a justificação por graça, e isto pelos méritos suficientes de Cristo, e de Seu sacrifício vicário. “Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus; a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos.(Rm3:24,25) “A justificação acontece na mente de Deus, e não no sistema nervoso do crente”. 

Todos aqueles que creram em Jesus Cristo, como conseqüência da graça soberana de Deus, e foram unidos a Cristo em sua morte e ressurreição, receberam a justificação. “Justificados, pois, mediante a fé, tenhamos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica”. (Rm 5:1, Rm 8:33). E a garantia de nossa justificação, é a obra consumada de Jesus Cristo. “O qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação”(Rm 4:25). “A justiça de Cristo declarada na alta corte de justiça, é nossa absolvição completa e final”. Não há mais condenação para aqueles que foram regenerados pela graça de Deus em Cristo. “Agora, pois já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1).

Alguém já disse que “Justificação tem duas partes: significa que Deus aceita os pecadores como justos; e também significa a experiência de certeza quando os pecadores sabem que são justificados” . Agora, a justificação necessariamente resultará na santificação. Romanos Capítulo 5 verso 18, fala-nos sobre a justificação que dá vida. “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida” Isto quer dizer que, aquele que foi justificado por Deus, este é santo num processo contínuo de santidade, que sem dúvida, desembocará na glorificação final.. “A justificação é aquilo que Deus faz por nós através da pessoa de Jesus Cristo, enquanto a santificação é quase exclusivamente aquilo que Deus faz em nós, por meio do Espírito Santo”. 

Neste ponto é preciso observarmos que, embora inseparáveis na obra da salvação, a justificação é um ato único que aconteceu uma única vez, enquanto a santificação é um processo contínuo.”Justificação e santificação são diferenciáveis,mas não separáveis”. Podemos colocar desta forma: “Nós fomos justificados por Deus em Cristo Jesus pela nossa morte juntamente com ele, estamos sendo santificados pela sua vida em nós, e seremos glorificados quando Ele voltar”.Em 1ªJoão3:2 lemos: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que,quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é.” “Assim, a justificação dá ao crente a garantia da sua santificação, para esperar com toda a alegria a glorificação final, onde a salvação estará realizada”. 

Isto é o que as Escrituras nos mostram; Cristo é tanto justiça, como santificação e também redenção para nós, e isto da parte de Deus Pai. “Mas vós sois dEle em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”(1Co1:30). Para compreendermos o plano e propósito da salvação, precisamos de Cristo como nossa sabedoria; para sermos libertos da condenação do pecado, precisamos de Cristo como nossa justiça; para sermos santificados – pois sem santificação ninguém verá o Senhor-, precisamos de Cristo como nossa santificação; e para sermos libertos de nossa condição corporal e implicações do pecado, precisamos de Cristo como nossa redenção. Cristo está sendo formado em nós, este é o supremo propósito do Pai. “Onde não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos”(Cl3:11). 

Nas palavras de Martin Lloyd-Jones “qualquer coisa que se apresente como cristianismo, mas que não insista na absoluta e essencial necessidade de Cristo, não é cristianismo. Se Ele não for o coração, a alma e o centro, o princípio e o fim do que é oferecido como salvação, não é a salvação cristã, seja lá o que for.” E continua o mesmo autor dizendo: “Ser salvo é estar em Cristo; não simplesmente crer no seu ensino, mas estar nEle, e ser participante da sua vida, da sua morte, do seu sepultamento, da sua ressurreição, da sua ascensão”. Cristo formado em nós, é o supremo propósito do Pai, mesmo antes da fundação do mundo. Podemos ler em Romanos 8:28-30. “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. “...Até que Cristo seja formado em vós”. Irmãos em Cristo, todos nós que fomos chamados por Deus seremos conformados à imagem de Cristo. Aleluia!

No coração do amoroso Pai, Seu Filho ocupa a primazia. O Pai nos ama e está levando-nos até o Seu propósito, por isso preparou inúmeras circunstâncias onde seremos provados e disciplinados, com o fim de sermos participantes de sua santidade. “Porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como a filhos); pois, que filho há a quem o Pai não corrige? Mas se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo sois bastardos, e não filhos. Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai dos espíritos e então viveremos? Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade”(Hb12:6-10). 

Como diz Martinho Lutero “Por isso Deus impôs a todos nós a morte, e deu a seus filhos mais queridos a cruz de Cristo com inúmeros sofrimentos e necessidades”. Contanto seja este o projeto do Pai a nós, ele providenciará circunstâncias especiais, provações e até mesmo sofrimentos, para despirmo-nos de nós mesmos, e revestirmos de Cristo. “Convém que ele cresça e eu diminua” (Jo 3:30), deve ser a aspiração de todo filho de Aba. Penso que a paráfrase mais oportuna para este versículo deveria ser: “É necessário que Cristo cresça e que eu desapareça”. E para isso, é necessário provações para podermos ser revelados a nós mesmos. Porém como alguém já afirmou : “Deus nos envia muitas bênçãos disfarçadas de tribulações”, e “o propósito das provações é a nossa edificação, e não o nosso prejuízo”. 

Lemos sobre o propósito das provações em Atos 14:22: “Fortalecendo as almas dos discípulos, e exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.” Não obstante os sofrimentos e tribulações que nos envolvem, devemos saber que o Pai celestial está no controle de tudo, “Aquele que é sábio demais para errar e demais amoroso para ser cruel”. E tudo que nos acontece, Deus determinou para o nosso bem , conforme Romamos 8:28; “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Irmãos, um santo já disse: “não julgues o Senhor por sua razão fraca, mas confia nele por sua graça. Por trás de uma providência indiferente, ele esconde um rosto sorridente”. Cristo está sendo formado em nós, e aos Seus propósitos o Senhor não renunciará.

Amém. 

Levi Cândido

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A Igreja de Jesus Cristo



“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16:18)


Convido meus amados irmãos e irmãs para ponderarmos sobre três tópicos fundamentais que podemos extrair do texto supracitado, os quais o Senhor nos têm revelado para juntos compartilharmos.
São eles: “O FUNDAMENTO DA IGREJA”, “A EDIFICAÇÃO DA IGREJA” e “O TRIUNFO DA IGREJA”.

1º “O FUNDAMENTO DA IGREJA” “...tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...”Neste tópico há um equívoco interpretativo contrastante com a verdade com relação ao termo “pedra”. “Tu és Pedro” (“petros”, palavra grega designativa de pequenos blocos rochosos, fragmentos de rocha, pedras pequenas, pedras de arremesso). Lamentavelmente, alguns interpretaram indevidamente este verso como se Pedro fosse a principal pedra sobre a qual a Igreja seria edificada. Provavelmente, desta errônea interpretação surgiu-se a heresia católica, a qual estabeleceram Pedro como o primeiro Papa da igreja. Contudo, esta interpretação não tem respaldo ou nexo algum com a clara e consistente revelação das Escrituras, pelo contrário, opõe-se a elas frontalmente como veremos a seguir. Embora numa leitura rápida do verso em referência têm-se a suposição de que esta pedra alude-se a Pedro, numa consideração mais atenciosa percebe-se que isto não é a verdade. Apesar do jogo de palavras contido no texto, não é a pessoa de Pedro que é a pedra fundamental da Igreja. É Cristo mesmo. “Sobre esta pedra (do termo grego “petra”; rocha grande e firme) edificarei a minha igreja...”. Logo, a Igreja seria firmada sobre a Rocha. Jesus é a “petra”, a Rocha sobre a qual Sua Igreja está sendo edificada (seguem-se algumas referências para consideração: Daniel 2.34; Efésios 2.20; Atos 4.11; Romanos 9.33; 1 Coríntios 10.4; 1 Pedro 2.4). “Se a Igreja é o corpo de Cristo, Pedro não poderia ser o cabeça da Igreja. A cabeça desse corpo é o Senhor Jesus”. (Efésios 1.22-23; Colossenses 1.18) Certamente o termo “pedra” aqui mencionado por Cristo na qual a Igreja seria edificada, tem a sua aplicabilidade indiscutível a Cristo, e não a Pedro conforme podemos certificar-nos pelo contexto geral das Escrituras Sagradas. A Bíblia sendo espiritual só pode ser interpretada pela própria Bíblia. As coisas espirituais se discernem espiritualmente. (cf. I Co 2:14) O que Cristo disse é que a Sua Igreja seria edificada a partir da confissão de Pedro a Seu respeito: “..Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo...e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...” (Mt 16:16b,18b) Leiamos outros versos que comprovam a veracidade desta afirmação. “A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do SENHOR e é maravilhoso aos nossos olhos.” (Sl 118:22-23) “No Novo Testamento este trecho é aplicado a Cristo como o centro do novo Templo de Deus, a Igreja real”¹. O próprio Cristo fez referência deste texto aplicando-o a si mesmo, mostrando a sorte dos ímpios que rejeitarem o Seu senhorio e a sua salvação; a estes Ele será pedra de tropeço e rocha de ofensa. “Perguntou-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” (Mt 21:42) Jesus é a pedra fundamental para os que confessam o Seu nome, e tem as suas vidas edificadas nEle, passando então a fazer parte do edifício de Cristo; as pedras vivas da Igreja. Para quem se recusa crer em Cristo, Ele deixa de ser esta pedra que alicerça esta vida, e então torna-se-lhe pedra de tropeço e condenação no julgamento por vir. O próprio Pedro deu testemunho desta pedra perante o Sinédrio enfatizando-O como o único fundamento estabelecido por Deus para a salvação dos que nEle crêem. “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (At 4:11-12) O mesmo apóstolo escrevendo em sua primeira epístola, no capítulo 2 versos 4-8, refere-se a Cristo como a pedra viva posta por Deus e os crentes como pedras vivas sendo edificados sobre esta pedra principal. “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos.” Foi Thomas Watson quem disse: “As pessoas que não tem Cristo como Rei para reinar sobre elas jamais terão Seu sangue para salvá-las”. Cristo é o único fundamento inamovível, o alicerce da Igreja e de cada crente, que já foi estabelecido segundo a graça de Deus (cf. I Co 3:10-11), tendo sido lançado pelo Senhor através dos Seus apóstolos e profetas cristãos. A Palavra de Deus é categórica: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” (Ef 2:20-22) Irmãos e irmãs, lamentavelmente após a era apostólica surgiram diversos nomes para a Igreja os quais tem sido a causa de divisões e facções não procedente obviamente, da vontade do Senhor, “porque Deus não é de confusão; e, sim, de paz.” (ICo14:33ª) Foi com muita lógica e percepção que um irmão refletiu: “Quando Paulo foi a Corinto pregar o evangelho e fazer a obra do SENHOR, será que ele estabeleceu uma Igreja "Paulina" com CRISTO como seu fundamento? E Apolo, que também ministrou em Corinto, estabeleceu uma Igreja sobre a base de Apolo tendo CRISTO como seu fundamento? Ou ainda Pedro, que possivelmente também tenha ido a Corinto, formou ele uma Igreja "Petrina" com CRISTO como fundamento? É óbvio que nenhum deles fez isso. Em Corinto não havia uma Igreja "Paulina", nem "Apolônica", nem "Petrina". Sendo assim, que fizeram eles? Quando Paulo foi a Corinto e conduziu as pessoas ao SENHOR, ele estabeleceu a Igreja em Corinto. Sobre que base? Sobre a base de Corinto. Ele estabeleceu a Igreja em Corinto com CRISTO como seu fundamento e sobre a base única da cidade. Quando Apolo foi a Corinto, ele não estabeleceu uma outra Igreja, mas edificou os santos sobre o mesmo único fundamento e sobre a mesma única base, a base de Corinto. Paulo plantou-os naquela base e Apolo regou-os sobre a mesma base. Em 1 Coríntios 1:2 diz-se: "À igreja [no singular] de DEUS que está em Corinto". Paulo, Apolo e Pedro trouxeram seus diversos ministérios a Corinto, mas eles todos edificaram uma Igreja com um fundamento, sobre a única base da unidade...” Oxalá meus irmãos e irmãs isto possa ser igualmente a realidade aqui em Barueri: “À igreja de DEUS que está em Barueri”. Amados irmãos, se a igreja deve ter nome próprio, não pode ser outro a não ser o nome de Cristo. Foi assim que um cristão anônimo registrou: “A igreja é o corpo de Cristo; o corpo de um homem leva o mesmo nome de sua cabeça”. Percebam amados o que Paulo disse em Coríntios1:10-13: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?” Imaginem só, irmãos e irmãs, alguém dizendo: “Eu sou da Batista”, e outro: “E eu da Presbiteriana”, e ainda outro: “Eu sou da Assembléia de Deus”, etc,.. Perguntaríamos então: Acaso, Cristo está dividido? Foi “a Batista” crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome da Presbiteriana? Ah, meus amados! Que possamos estar no mesmo Espírito que testifica: “Em Cristo, a Rocha sólida, estou firme; Todo outro fundamento é areia movediça!” Os nomes denominacionais atribuídos à Igreja pelos homens não são ordenados por Deus e não subsistirão no juízo vindouro. O único nome prevalecente será aquele instituído pelo próprio Deus: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fp 2:9-11) Concordo com o irmão Silvio Maria que disse:”Nos separamos do Sistema denominacional, simplesmente porque Cristo Jesus, o Filho de Deus é o único digno!...Ele é digno do sacrifício de se deixar todos os outros nomes e divisões e nos reunir somente em seu nome eternamente Bendito”. Após considerarmos os pontos acima, creio ser oportuno levantarmos as seguintes perguntas: Qual é a nossa identidade como Igreja? Qual a base e sobre qual fundamento temos sido edificados? A propósito, a palavra Igreja provém do grego “ekklesia” (assembléia), e significa necessariamente “aqueles que foram chamados para fora”(de todas as nações, tribos, línguas e povos) para serem reunidos em torno do nosso Senhor Jesus Cristo, sob a Sua autoridade e para glorificar o Seu nome. Assim somos identificados como membros da Igreja de Cristo. Usar outros nomes para identificar a Igreja a qual é o seu corpo, penso que está mais para desonra do que para a honra ao Senhor. Que o Senhor nos livre de tudo aquilo que possa desonrá-Lo! “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.” (I Co 3:11)

2º “A EDIFICAÇÃO DA IGREJA” “..e sobre esta pedra edificarei a minha igreja,..”
Irmãos e irmãs, aqui está algo que é bem evidente, porém se faz necessário a sua ênfase: A igreja é edificada pessoalmente por Cristo e sobre Ele mesmo. Quão inutilmente vemos muitos líderes tentando edificar “igrejas” sobre outras bases e fundamentos estranhos! O máximo que eles possam fazer com seus esforços dissipa-se sem a orientação divina. “Se o SENHOR não edificar a casa (em nosso contexto; a Igreja), em vão trabalham os que a edificam;...” (Sl 127:1ª) “...e sobre esta pedra edificarei a minha igreja,..” O verbo “edificar” sugere-nos explicitamente o fato de que a Igreja está sob os cuidados e competência do próprio Senhor Jesus Cristo no que tange à sua edificação. Para isto “..ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” (Ef 4:11-13) Observem irmãos e irmãs, Ele mesmo é quem concedeu os Seus santos para o bem e aperfeiçoamento do Seu Corpo. Existem muitos falsos apóstolos, falsos profetas, falsos evangelistas, falsos pastores e mestres que não foram enviados pelo Senhor, mas são lobos vorazes. O apóstolo Paulo já advertia a Igreja primitiva sobre a penetração sorrateira destes inimigos no seio da Igreja. “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.” (Fp 3:17-19) Notem qual é a inclinação e ênfase destes inimigos da cruz de Cristo: As coisas terrenas. Normalmente, a ênfase desses falsos ministros está voltada a um fim antropocêntrico; isto é, tudo centralizado em conveniência do próprio homem. O irmão Tomaz Germanovix, num estudo bíblico deixou-nos algo muito precioso referente ao ensinamento sobre Cristo e a Sua Igreja. Disse ele: “A Igreja não é uma criação humana, uma organização ou um sistema terreno, ela teve a sua origem no próprio Senhor Jesus. Nenhuma sabedoria deste mundo pode discernir a Igreja, pois se trata de uma realidade espiritual. Assim como o novo nascimento, a Igreja jamais poderá ser compreendida a partir do raciocínio carnal. Somente o Espírito Santo pode nos dar a visão correta da Igreja que Jesus está edificando. No livro de I Coríntios 12:12-13 está escrito: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” Nesta passagem, observamos que a Igreja é a expressão do corpo de Cristo. Dizendo de outro modo, a Igreja nada mais é do que a expressão do Cristo coletivo. Todos aqueles que foram aceitos pelo Senhor, fazem parte da Igreja de Cristo. O livro de Colossenses 1:18ª, aponta que Cristo é a cabeça da Igreja: “Ele é a cabeça do corpo, da Igreja.” A Igreja é o resultado da união vital entre Cristo e todos aqueles que foram salvos. Isto significa que a Igreja é o corpo de Cristo, e ela tem como único propósito manifestar a vida de Cristo. A Igreja estará em profundas trevas quando não expressar a vida de Cristo. Uma “igreja”que não expressa a vida de Cristo pode ser tudo, organização religiosa, missão, denominação, entidade social, mas, jamais, poderá ser considerada como Igreja que Jesus está edificando. O “único material” que pode ser usado para a edificação da Igreja é o próprio Cristo, pois a vida da Igreja é a vida de Cristo”. “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15:1,5) Foi William Gurnall quem disse: “A igreja não é nada mais do que Cristo manifestado”. Há um comentário bíblico que considero bastante oportuno neste instante, expressa-se assim: “Quando Cristo é tudo em todos: As divisões desaparecem, as mais apreciadas qualidades aparecem, a compreensão e o perdão tem êxito, o amor une a todos, a paz e a gratidão dominam o coração, a vida se torna exemplar aos outros e Deus é plenamente glorificado”. O apóstolo Paulo disse em Colossenses 3:11 o seguinte: “onde não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo e em todos.” “A igreja está em Cristo como Eva estava em Adão”, disse Richard Hooker. Observem meus irmãos e irmãs, Cristo disse: “..e sobre esta pedra edificarei a minha igreja,..” John MacArthur Jr. expressou-se precisamente quando disse: “A Igreja é de Cristo. Ela é de fato, na terra, uma extensão visível da vida de Cristo. O único modo pelo qual você pode ser membro da igreja verdadeira é nascer com a própria vida de Cristo. A única vida que a verdadeira igreja tem é a vida de Cristo. Ao mesmo tempo que somos uma extensão da vida de Cristo, somos certamente uma extensão do ministério de Cristo. Mas é triste dizer que a maioria das igrejas está infinitamente longe deste fato. Muitas são igrejas, apenas em virtude do fato de terem um prédio que se chama igreja”.

3º “O TRIUNFO DA IGREJA” “...e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” A Igreja subsiste por Cristo e para Ele. Ela permanecerá eternamente para a glória do Senhor. Porém, enquanto a Igreja ainda estiver sendo edificada ela sofrerá perseguições e terríveis ataques por parte dos inimigos infernais. Foi Matthew Henry quem disse: “Os seguidores de Cristo não podem esperar melhor tratamento do mundo do que o que o Mestre recebeu”. Mas como dizia Benjamin E. Fernando. “A perseguição é um dos sinais mais seguros da autenticidade do nosso cristianismo”. O mesmo autor também declarou: “Esmagar a igreja é como bombardear um átomo: energia de alta qualidade é liberada em quantidades enormes e com efeitos miraculosos”. Para a Igreja, as batalhas são muitas e constantes, mas a vitória é certa e garantida: “..as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Isto significa que a Igreja é e sempre será vitoriosa por causa dAquele que a sustenta e dela cuida. Em Efésios 5:29-30 podemos certificar-nos desta verdade: “Porque ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a Igreja; porque somos membros do seu corpo.” Assim como o pastor permanece com seu rebanho e suas ovelhas dependem totalmente dele quanto ao alimento, água e proteção contra os animais ferozes, assim também Cristo permanece com Seu rebanho, suprindo-o de toda a provisão e jamais o abandonará. Disse-nos o Senhor Jesus Cristo: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas...E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Jo 10:11; Mt 28:20b) “O mesmo Deus que controla o sol cuida do pardal”, quanto mais dos Seus filhos! Irmãos e irmãs, não devemos esperar tratamento vip num mundo que jaz no malígno. “Quem é mais inocente do que Cristo? E quem é mais perseguido? O mundo continua sendo o mesmo”, dizia John Flavel. Mas graças a Deus, a Igreja pertence ao Cordeiro – “O Senhor pelejará por nós” . “..edificarei a minha igreja,..”, disse Cristo. Se olharmos retrospectivamente, veremos muitas pelejas travadas, muitas perseguições contra o povo de Deus, muitos cristãos foram mortos (ver exemplos de fé em Hb11: considerem os versos 32-40), mas em toda a existência da Igreja o Senhor outorgou-lhes plena vitória. E, se olharmos prospectivamente (ver Ap 21), veremos que o Senhor Jesus Cristo cuidará até ao fim da Sua igreja e apresentá-la-á “a si mesmo como igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito.” (Ef 5:27) Não obstante as diversas perseguições e ataques do malévolo contra a Igreja, “se você pensa que está vendo a arca de Deus a cair, pode estar certo de que está tendo vertigens”, pois, “a causa de Deus nunca corre perigo; o que Ele começou na alma ou no mundo levará até ao fim”. O que concerne à Igreja de Cristo o Senhor levará a bom termo. “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará. Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (I Ts 5:23-24; Rm 8:31-32,37-39) Graças a Deus, o Senhor está edificando a Sua “Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Amém!

(Levi Cândido)




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A Soberana Vocação


Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fp 3:13-14)

Há muitas coisas que gostaríamos que fossem apagadas do nosso passado. Existem certas lembranças amargas que ressurgem inesperadamente com a tendência de sufocar o gozo presente e nos paralisar em nossa caminhada. Ficar volvendo-se ao passado, “descobrindo defunto”, submetendo-se àquilo que não podemos alterar no curso de nossa existência, é pura insensatez e causa profunda depressão e paralisia espiritual. Além disso, há também os atalhos e desvios do caminho que se apresentam para desviar-nos das realidades espirituais, pois “a tendência das coisas visíveis é desviar-nos das realidades invisíveis”. Outrossim, os diversos aspectos que se apresentam, tais como: sentimentos de perda, de posse, de culpa, de angústia, etc., associando-se às frustrações passadas e os prazeres ocos do mundo, constituem-se em tropeços para o progresso da vida cristã. “A religião de algumas pessoas faz-me lembrar de um cavalinho de balanço, que se movimenta, mas não avança”, dizia Rowland Hill. Porém, há um perigo destruidor se, ao invés de avançarmos para o alvo, ficarmos a mirar as derrotas e fracassos do passado, bem como ter os nossos afetos voltados às coisas deste mundo. Somos advertidos pelo nosso Senhor Jesus a este respeito: “Lembrai-vos da mulher de Ló”. (Lc 17:32) Não obstante Ló, sua mulher e suas duas filhas serem advertidos pelo Senhor através de seus mensageiros para que “não olhassem para trás”, mas fugissem para o monte a fim de não perecerem no caminho, contudo, nos é dito que “a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal”. (Gn 19:26) É interessante compreendermos o significado da expressão “olhou para trás”. Esta expressão em hebraico significa literalmente “demorou-se”, indicando que os desejos relativos à luxúria perdida eram bem mais fortes do que o interesse que a salvação gratuitamente oferecida pelo Senhor lhe podia despertar¹. “Se você quer fugir de Deus, o diabo lhe emprestará tanto as esporas como o cavalo.”, dizia Thomas Adams. Por isso o Senhor Jesus tomou como exemplo este fato para advertir-nos quanto à época de sua volta. “a certeza da segunda vinda de Cristo deve tocar e impregnar cada parte do nosso comportamento diário”, dizia John Blanchard. A igreja de Cristo aspira pela vinda do Seu Amado. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Ap 22:17) Alguém já disse que “a vontade do homem é governada por aquilo que ele ama”. Precisamos considerar o que diz Cristo: “Porque onde está o teu tesouro, ai estará também o teu coração”. (Mt 6:21) Um cristão anônimo ajuda-nos a repensar: “quanto mais do céu desejamos, menos da terra cobiçamos”. Irmãos e irmãs, precisamos reavaliar nossa vocação cristã à luz da Palavra de Deus. É imprescindível que atentemo-nos à carreira cristã que nos está proposta. Aqueles que não sabem para onde estão indo, não importa qual o caminho a seguir, mas quanto aos filhos de Deus, eles foram chamados para um alvo definido e supremo: a esquecerem as coisas que para trás ficam e avançar para as que diante deles estão, prosseguindo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Isto não significa que jamais nos lembraremos das coisas passadas. Isto acontecerá somente quando estivermos com o Senhor na Sua glória. “Todos os males decorrentes do pecado no mundo atual serão esquecidos no mundo novo”. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Ap 21:4) Se lermos com atenção alguns versos do capítulo 3 da epístola aos Filipenses, nos versos 5 e 6 por exemplo, vemos o apóstolo Paulo lembrando do passado. Ele estava lembrando de que teria motivos suficientes de gloriar-se na carne (v. 4). Surgiram as lembranças de quando ele era religioso legalista (v.5), e até mesmo lembrou-se que outrora foi um fariseu tão zeloso – e cego, é claro - que chegou a perseguir a igreja de Cristo (v. 6). Ele lembrou-se noutra ocasião em que consentiu no apedrejamento e morte de Estevão. Ah! Como Paulo gostaria de esquecer de todas estas coisas! Mas o que ele nos ensinou mais adiante (Fp 3:13-14), é que o que ele era no passado, e o que fez outroramente, não poderiam interpor-se em tropeços em seu caminho, porque agora ele tinha um alvo supremo, um prêmio a alcançar: “a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Ele tinha convicção de que a despeito do que ele fora e praticara no passado, era devido exclusivamente à graça de Deus o que agora era. “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou...”, disse ele. (I Co 15:10ª) “A graça de Deus transforma o indigno...ela desfaz o que éramos e nos torna o que somos”. Ao considerarmos o contexto dos versos de nossa reflexão, podemos ver que o apóstolo Paulo estava tratando a respeito da perfeição. Vejamos os versos 12 e 15 do capítulo 3 da epístola aos Filipenses. “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também conquistado por Cristo Jesus. Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará.” Conforme alguns estudiosos das Escrituras já observaram, é muito provável que houvesse um grupo de “perfeccionistas” em Filipos, que sustentavam a perfeição quantitativa do cristão, o que Paulo desmentiu em sua própria experiência conforme o verso 12. Então, alguém poderá questionar; porque Paulo disse no verso 15 que “todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento...” (?) Se fizermos a comparação deste versículo com o mesmo versículo da tradução da NVI ², veremos uma palavra interessante; “Todos nós que alcançamos a maturidade...”, assim expressa esta tradução. Creio que esta perfeição ou maturidade a que Paulo referiu-se aqui, está relacionada à “soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”, e esta é alcançada de fé em fé, de glória em glória, até ao dia de Cristo Jesus. “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus”. (Fp 1:6). “Deus cuida de nós, purifica-nos e continua sua obra em nós, até levar-nos ao fim de sua promessa”. O texto de 1ª Pedro 5:10 é bem esclarecedor: “Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar”. Alguém dentro deste contexto já refletiu: “os melhores cristãos que existem entre nós são apenas cristãos em formação; de forma nenhuma são produtos acabados”. Na verdade, em nós mesmos não somos perfeitos enquanto estivermos nesta terra, mas graças a Deus temos a vida do Seu Filho, logo, temos nele a perfeição. A vida que agora vivemos na carne, vivemos pela fé do Filho de Deus. “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; e estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;” (Cl 2:9-10). Já foi dito por alguém que “o cristão perfeito é aquele que tendo consciência de seus próprios fracassos está decidido a avançar para o alvo confiando somente na graça de Cristo”. Irmãos e irmãs, a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus era o prêmio que o apóstolo Paulo tanto almejava alcançar e trata-se da conformidade à imagem do Filho de Deus. Esta também deve ser a aspiração de todo filho de Aba. “Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim...” (Gl 1:15-16ª) “aprouve a Deus revelar seu Filho em mim” – não para mim, mas em mim -, esta é a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Este alvo supremo o apóstolo Paulo declarou às igrejas por onde passou. Podemos ver o que ele disse à igreja da Galácia: “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 6:15,19-20ª). Vejamos também o que ele disse à igreja de Corinto: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (II Co 5:17). Paulo demonstrava esta aspiração não somente com respeito a si próprio, mas desejava o mesmo pelos irmãos em geral; a igreja de Cristo. “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós;” (Gl 4:19). Paulo estava decidido; ele não estava preocupado com sua sorte pessoal, mas regozijava-se na esperança da glória que receberia de Deus em Cristo Jesus. “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” (Fp 1:20-21). Observem irmãos; toda a vida de Paulo (pensamentos, atos, atitudes, etc.) estava relacionada com Cristo que o conquistara. Irmãos e irmãs, ao adentrarmo-nos num novo ano, que seja esta a mesma aspiração que tinha o apóstolo Paulo: “Para mim, o viver é Cristo”. Cristãos, somos peregrinos e forasteiros neste mundo, logo estaremos no lar que nosso SENHOR nos preparou. “Este mundo é nossa passagem, não nossa porção”, disse Mathew Henry. E John Flavel também disse algo muito precioso: “Cristo acabou sua obra por nós? Então não pode haver dúvidas que Ele também acabará sua obra em nós”. Isto é muito consolador irmãos; “o que o SENHOR começou na alma ou no mundo Ele levará até ao fim” . William Gurnall também disse: “A vida da glória de Cristo está inseparavelmente ligada à vida eterna de seus santos”. Ó amados, a despeito de vossas aflições e adversidades da vida, “deixa que Deus ordene os teus caminhos e espera nEle, o que quer que aconteça; nEle terás nos duros e maus dias tua suficiente Força e direção. Quem no perene amor de Deus confia sobre a Rocha Inabalável edifica”. “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Rm 8:28-29) Gostaria de concluir este estudo com a seguinte observação já feita por alguém: “Olhar para Ele nos faz estar firmes e andar por fé. Andar pela fé que é do Filho de Deus, e completarmos a carreira que nos está proposta: “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus...”(Hb 12:2) Amém.

(Levi Cândido)


( NOTAS ) 1 “CONFORME COMENTÁRIO BÍBLICO VIDA NOVA”
2 NVI “BÍBLIA NOVA VERSÃO INTERNACIONAL”



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